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		<title>[Album Review] Luís Sequeira &#8211; Quer Sequeira quer não</title>
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		<pubdate>Mon, 01 Jun 2026 19:02:43 +0000</pubdate>
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					<description><![CDATA[O mundo da música tem uma estranha relação com o talento. Ao longo das últimas décadas, vimos artistas extraordinários desaparecerem na margem enquanto outros, nem sempre mais capazes, encontravam o momento certo, a exposição certa ou simplesmente o acaso certo. E talvez seja precisamente isso que continua a tornar tão difícil explicar uma carreira artística.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo da música tem uma estranha relação com o talento. Ao longo das últimas décadas, vimos artistas extraordinários desaparecerem na margem enquanto outros, nem sempre mais capazes, encontravam o momento certo, a exposição certa ou simplesmente o acaso certo. E talvez seja precisamente isso que continua a tornar tão difícil explicar uma carreira artística. Porque o talento, por si só, raramente garante destino.</p>



<p>Ao ouvir <a href="https://www.instagram.com/luissequeira.official/">Luís Sequeira,</a> quer seja no álbum, quer seja nas suas extraordinárias participações no podcast de <a href="https://www.instagram.com/davidantunesmusic/">David Antunes</a> &#8211; Canta-me uma História, essa sensação torna-se inevitável.</p>



<p>É difícil compreender como uma voz com esta identidade, esta profundidade emocional e esta capacidade interpretativa ainda não ocupa um espaço muito maior dentro da música portuguesa. O seu talento vocal é impressionante não apenas pela técnica, mas pela forma como palavra carrega intenção, cada silêncio tem peso, e cada interpretação transmite a sensação de que existe sempre algo real a acontecer por detrás da música.</p>



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<p>Mas talvez a história dos artistas seja muitas vezes feita precisamente destes desencontros entre capacidade e reconhecimento. Talvez uma carreira dependa tantas vezes de fatores impossíveis de controlar: a canção que chega na altura certa, a oportunidade inesperada, o tal &#8220;momento viral&#8221; atual.</p>



<p><em>Quer Sequeira Quer Não</em> parece carregar também essa consciência. Não como frustração, mas como maturidade. Como o trabalho de alguém que continua a aprofundar a sua identidade artística sem ficar preso à necessidade imediata de validação exterior. Como se a sua resposta fosse apenas o trabalho e ser artista fosse um desígnio, independentemente do impacto imediato.</p>



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<p>Neste segundo álbum, o amor deixa de surgir como conceito romântico idealizado para se transformar numa força contraditória, necessariamente imperfeita mas inevitável. Um lugar onde convivem entrega, obsessão, perda, permanência e dúvida.</p>



<p>Musicalmente, o disco move-se entre o pop alternativo e uma escrita profundamente emocional, sem grande preocupação em encaixar rótulos. Mas sempre com uma procura constante pela verdade do sentimento acima da fórmula, algo que se sente particularmente em temas como “Pedra e Cal”, onde o amor surge não como salvação, mas como algo do qual já não existe verdadeira vontade de fugir.</p>



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<p>O mais interessante em <em>Quer Sequeira Quer Não</em> é precisamente essa dimensão introspetiva. Luís Sequeira parece menos interessado em contar histórias fechadas e mais focado em explorar aquilo que o amor provoca dentro de nós: as suas idiossincrasias, os seus excessos e as zonas emocionalmente desconfortáveis que tantas vezes tentamos evitar.</p>



<p>É um disco que encontra força na vulnerabilidade. Que não procura respostas definitivas sobre o amor, mas aceita permanecer dentro das suas contradições. E talvez seja precisamente aí que encontra a sua identidade mais sólida: na coragem de admitir que, quer se queira quer não, quase tudo na vida acaba por regressar à forma como amamos.</p>



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<p>O disco abre com <strong>“Amar ou Esquecer”</strong> que, como Luís já teve oportunidade de referir é sobre aquele estado intermédio entre duas pessoas que estão profundamente ligadas e que vivem dentro dessa tensão entre continuar emocionalmente presos ou aceitarem a necessidade dolorosa de seguir em frente. A canção funciona quase como uma introdução ao conflito central do álbum: a incapacidade de controlar aquilo que sentimos.</p>



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<p>Em seguida chega-nos <strong>&#8220;Pedra e Cal&#8221;</strong> onde o amor surge menos como escolha e mais como condição inevitável. Existe uma sensação de entrega absoluta, mesmo quando essa entrega parece carregar sofrimento. Luís Sequeira explora a ideia de permanecer ligado. É uma das canções onde a vulnerabilidade emocional do álbum se torna mais evidente.</p>



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<p><strong>“Atrás do Tempo”</strong> vive da nostalgia e da consciência de que certos momentos nunca regressam verdadeiramente. Não é uma canção sobre recuperar o passado, mas sobre a tentativa humana de permanecer emocionalmente ligado a versões antigas de nós próprios. Existe uma melancolia constante, não como derrota, mas como reflexão sobre aquilo que o tempo inevitavelmente transforma.</p>



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<p>Segue-se<strong> &#8220;Medo&#8221;</strong>, um dos momentos mais introspectivos do álbum. O medo aqui não surge apenas como receio de perder alguém, mas também como receio de enfrentar a própria vulnerabilidade. A canção parece explorar os mecanismos internos que nos levam tantas vezes a proteger-nos precisamente daquilo que mais desejamos viver.</p>



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</div>



<p>Dentro do contexto do álbum, &#8220;<strong>Admirável Mundo Novo</strong>&#8221; pode ser vista como um confronto entre expectativa e realidade, entre aquilo que imaginamos para a nossa vida emocional e aquilo que realmente encontramos. </p>



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<p>E, por isso, <strong>&#8220;Preciso de Falar&#8221;</strong> representa o momento em que esses silêncios deixam de ser sustentáveis. É uma canção sobre a necessidade urgente de comunicação, sobre aquilo que acontece quando os sentimentos acumulados já não conseguem permanecer apenas dentro do pensamento. Surge quase como um momento de libertação emocional dentro do percurso do álbum.</p>



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<p>Por vezes, deixa de existir controlo verdadeiro sobre a situação, <strong>&#8220;Não Vás&#8221;</strong> parece existir naquele instante suspenso em que alguém ainda tenta impedir uma ausência antes que ela se torne definitiva. Sem garantias, existe apenas o desejo humano de prolongar aquilo que sabemos poder estar prestes a ter de desaparecer.</p>



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<p>O encerramento do disco funciona quase como uma síntese emocional de tudo o que veio antes. Depois das dúvidas, dos medos, das perdas e das tentativas de compreensão, <strong>“Sonho”</strong> deixa a sensação de que algumas respostas talvez nunca cheguem de forma concreta. E talvez isso não seja necessariamente negativo. A canção termina o percurso num espaço mais contemplativo, onde o amor deixa de surgir como problema para resolver e passa a existir como experiência que transforma quem a vive.</p>



<p>No conjunto, estas oito composições de <em>Quer Sequeira Quer Não</em> funcionam menos como uma coleção de canções independentes e mais como um percurso emocional contínuo. Cada faixa parece representar uma fase diferente da relação entre amor, memória e identidade. O álbum não procura explicar o amor, mas procura observar aquilo que ele deixa dentro de nós quando já não conseguimos controlá-lo. E talvez seja precisamente essa honestidade emocional que lhe dá coerência do início ao fim.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Concert Review] Enchufada 20 years &#8211; A London Club Story</title>
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		<pubdate>Sat, 16 May 2026 11:45:03 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Celebrar 20 anos de uma editora pode facilmente transformar-se num exercício nostálgico. Mas o aniversário dos 20 anos da editora Enchufada em Londres, fez exatamente o contrário: mostrou que aquilo que começou em Lisboa em 2006 continua vivo porque nunca ficou preso a um único som, uma única cidade ou uma única geração. Fundada por]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Celebrar 20 anos de uma editora pode facilmente transformar-se num exercício nostálgico. Mas o aniversário dos 20 anos da editora <strong>Enchufada </strong>em Londres, fez exatamente o contrário: mostrou que aquilo que começou em Lisboa em 2006 continua vivo porque nunca ficou preso a um único som, uma única cidade ou uma única geração.</p>



<p>Fundada por <a href="https://www.instagram.com/brankoofficial/">Branko </a>and <a href="https://www.instagram.com/kalafepalanga/">Kalaf Epalanga</a> ao lado do nascimento dos <a href="https://www.instagram.com/burakaofficial/">Buraka Som Sistema</a>, a <a href="https://www.instagram.com/enchufadanazona/">Enchufada</a> acabou por redefinir a forma como a música de clube feita em Portugal era vista no mundo. O que começou como fusão entre kuduro angolano e eletrónica europeia rapidamente se tornou muito mais do que isso: uma plataforma para culturas diaspóricas, ritmos globais e novas linguagens de pista de dança.</p>



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</div>



<p>O evento londrino no <a href="https://www.instagram.com/lowerthirdsoho/">The Lower Third</a> a 9 de Maio, fazia parte dessa celebração internacional associada à compilação<strong> <em>Enchufada: A Lisbon Club Story</em></strong>, editada este ano para marcar as duas décadas da editora. E o mais impressionante foi perceber como, passados vinte anos, a identidade da Enchufada continua imediatamente reconhecível, não por soar igual ao passado, mas pela capacidade contínua de cruzar geografias, ritmos e gerações sem perder coerência.</p>



<p>Havia passado, claro. Sobretudo quando temas históricos dos Buraka voltavam a surgir no sistema de som como lembrete de quão radical aquela mistura parecia nos anos 2000. Mas a noite nunca viveu da nostalgia. Pelo contrário: o foco parecia estar constantemente no movimento e continuidade.</p>



<img width="769" height="1024" src="https://www.ecletismomusical.pt/wp-content/uploads/2026/05/687680810_18440811745143682_1801937624626393055_n-769x1024.jpg" alt="" class="wp-image-9450" />



<p>Não eram ainda muitos os presentes quando Kalaf iniciou o seu DJ set. As pessoas iam chegando lentamente, a maioria portugueses à procura de voltar a dançar ao som dos temas e daquele conforto muito específico que só a música “de casa” consegue trazer. O cruzamento de culturas e o ecletismo estiveram presentes desde o primeiro momento, em cada tema que Kalaf, com o seu habitual ar calmo e contemplativo, ia fazendo sair das colunas de um espaço com excelente som.</p>



<p>Já com a pista mais composta, foi a vez da convidada da noite, a DJ londrina Tash LC, literalmente deitar a casa abaixo com um set explosivo e profundamente físico, numa mistura que cruza música eletrónica com ritmos afro-diaspóricos, caribenhos e latino-americanos.</p>



<p>Especialmente conhecida pelas residências na NTS Radio, BBC 1Xtra, Worldwide FM e Kiss FM, Tash LC mistura kuduro com afro house, merengue, dancehall e eletrónica experimental numa mescla muito própria e que teve receção calorosa por parte do público presente.</p>



<p>O que torna Tash LC particularmente relevante no contexto da Enchufada é o facto de trabalhar exatamente o mesmo tipo de ponte cultural que a editora ajudou a criar ao longo dos últimos vinte anos: música de clube construída a partir de diásporas, migração, ritmos globais e cenas periféricas. Por isso, a sua presença nesta celebração em Londres fez total sentido.</p>



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</div>



<p>Seguiu-se Branko, o membro da Enchufada atualmente com maior exposição pública tendo em conta os múltiplos projetos e colaborações que tem vindo a lançar ao longo dos tempos. Mas, tal como estava anunciado, fez um set &#8220;enchufada ONLY set&#8221;. Passou pelo novo tema dos Buraka Som Sistema, mas igualmente por temas clássicos reconhecidos pelo entusiasmo do público. Teve ainda tempo para dar alguns bombons a quem estava presente com &#8220;N&#8217;Essa Rua&#8221; single que lançou em parceria com Tainá. Num set de celebração de uma história, Branko, com a consistência de sempre apresentou um set muito dançado por todos os presentes.</p>



<p>Houve ainda tempo para Pedro da Linha que apresentou um set com diversos originais e de um final de festa com o regresso de Branko aos pratos juntamente com os seus camaradas de percurso para fechar a noite em grande festa.</p>



<p>Num espaço que merecia claramente mais público, talvez o facto de os Buraka Som Sistema, o nome maior e mais reconhecível da história da editora, só recentemente terem regressado à atividade tenha feito com que muitos portugueses residentes em Londres, e não só, não tenham aderido com a intensidade que a celebração merecia. Ainda assim, quem tomou a boa decisão de estar presente acabou por assistir a uma noite muito especial: não apenas uma festa de aniversário, mas a confirmação de que a Enchufada continua a representar uma das linguagens mais únicas e influentes da música de clube nascida em Portugal.</p>



<p></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] The Haunted Youth &#8211; Boys Cry Too</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Tue, 12 May 2026 15:40:06 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Os The Haunted Youth construíram uma identidade muito própria dentro da nova dream pop europeia. O projeto liderado por Joachim Liebens rapidamente passou de fenómeno underground belga para um dos nomes mais fortes da nova vaga shoegaze/dream pop, especialmente depois do impacto do álbum Dawn of the Freak em 2022. O novo álbum “Boys Cry]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os<a href="https://www.instagram.com/thehauntedyouth_official/"> The Haunted Youth </a>construíram uma identidade muito própria dentro da nova dream pop europeia. O projeto liderado por Joachim Liebens rapidamente passou de fenómeno underground belga para um dos nomes mais fortes da nova vaga shoegaze/dream pop, especialmente depois do impacto do álbum <em>Dawn of the Freak</em> em 2022. O novo álbum “Boys Cry Too” continua exatamente essa linha emocional, mas de forma mais direta do que habitual.</p>



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</div>



<p>O título já aponta claramente para uma rejeição da ideia tradicional de masculinidade emocionalmente fechada.</p>



<p>Isso encaixa completamente na escrita de Joachim Liebens, que ao longo dos últimos anos falou várias vezes sobre depressão, ansiedade e isolamento como temas centrais do projeto. Em muitas músicas dos The Haunted Youth existe sempre esta tensão entre desejo de proximidade emocional e incapacidade de comunicar plenamente aquilo que se sente.</p>



<p>Lançado pela Play It Again Sam, o segundo álbum da banda belga mostra um projeto muito mais consciente da própria identidade, sendo que a própria banda descreveu o disco como nascido de “emotional unrest”, afastando-se da fragilidade bedroom pop do primeiro álbum para algo mais confrontacional.</p>



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</div>



<p>Grande parte do disco gira em torno de masculinidade emocional, saúde mental, paranoia, vulnerabilidade e isolamento. Liebens explicou mesmo que a primeira metade do álbum representa o lado mais defensivo e agressivo de um homem emocionalmente destruído, enquanto a segunda mergulha na vulnerabilidade pura.</p>



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</div>



<p>Um disco muito interessante que vive melhor se for ouvido sem tentar parecer “cool” e simplesmente aceitando o excesso emocional que o define. Porque é aí que os The Haunted Youth encontram identidade própria: na capacidade de transformar ansiedade, vulnerabilidade masculina e desgaste emocional em algo melodicamente bonito sem perder completamente a aspereza por trás dessas emoções.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] Seu Jorge &#8211; The Other Side</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Tue, 12 May 2026 13:27:50 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
		<category><![CDATA[New Album]]></category>
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		<category><![CDATA[Worth Listening to]]></category>
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		<category><![CDATA[review]]></category>
		<category><![CDATA[Seu Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[worth listening to]]></category>
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					<description><![CDATA[Depois de décadas a atravessar samba, soul, funk, MPB e cinema com uma naturalidade rara, Seu Jorge continua a fazer aquilo que sempre o distinguiu: transformar canções simples em algo profundamente humano. O seu novo álbum: The Other Side, demorou cerca de 16 anos a ser desenvolvido, tendo sido gravado de forma fragmentada entre 2009]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de décadas a atravessar samba, soul, funk, MPB e cinema com uma naturalidade rara, <a href="https://www.instagram.com/seujorge/">Seu Jorge</a> continua a fazer aquilo que sempre o distinguiu: transformar canções simples em algo profundamente humano. </p>



<p>O seu novo álbum: <em>The Other Side</em>, demorou cerca de 16 anos a ser desenvolvido, tendo sido gravado de forma fragmentada entre 2009 e 2018, longe da lógica tradicional de pressão comercial e ciclos rápidos da indústria. O próprio Seu Jorge disse que este é “talvez o disco que melhor explique o que é o Seu Jorge”.</p>



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</div>



<p>Musicalmente, o álbum afasta-se bastante do lado mais expansivo e popular de discos como <em>Músicas Para Churrasco</em> or <em>Baile à la Baiana</em>. Em vez disso, entra num território muito mais contemplativo, mais próximo da bossa nova.</p>



<p>A produção ficou a cargo de Mario Caldato Jr., colaborador histórico de Seu Jorge desde <em>Samba Esporte Fino</em>, enquanto os arranjos orquestrais são assinados por Miguel Atwood-Ferguson. O resultado é um disco cheio de espaço e atmosferas muito mais delicadas do que aquilo que normalmente associamos ao artista.</p>



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</div>



<p>Também há participações fortes, como Marisa Monte, Maria Rita, Beck e Zap Mama. Aqui, mesmo quando se canta sobre amor, saudade ou reencontro, transmite-se quase sempre uma sensação de conversa real, sem excesso poético artificial.</p>



<p>Neste trabalho, em vez de surgir principalmente como compositor/personagem carismático, Seu Jorge aparece muito mais como intérprete. Há menos procura de hits imediatos e mais preocupação com textura e beleza sonora.</p>



<p>No fundo, <em>The Other Side</em> soa quase como o contrário da imagem pública mais conhecida de Seu Jorge: menos festa, menos groove expansivo, menos samba de rua, e mais silêncio, detalhe e maturidade.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Concert Review] A Garota Não c/ Coro das Mulheres da Fábrica @Teatro José Lúcio da Silva, Leiria</title>
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		<pubdate>Mon, 27 Apr 2026 09:18:00 +0000</pubdate>
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		<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Há artistas que mudam com o tempo. E depois há aqueles em que tudo muda à sua volta, menos o essencial. Desde que o Ecletismo Musical viu A Garota Não, em Torres Vedras, ainda em 2022, já havia uma verdade impossível de ignorar: uma urgência que não vinha da música, mas daquilo que precisava de]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há artistas que mudam com o tempo. E depois há aqueles em que tudo muda à sua volta, menos o essencial. Desde que o Ecletismo Musical viu A Garota Não, em Torres Vedras, ainda em 2022, já havia uma verdade impossível de ignorar: uma urgência que não vinha da música, mas daquilo que precisava de ser dito. No sábado, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, essa urgência continua intacta, mesmo que tudo à volta tenha crescido.</p>



<p>O concerto começou no formato habitual, com Cátia Mazari Oliveira acompanhada pela sua banda, Sérgio Miendes, Diogo Arranja e João Mota. “Canção Sem Fim” abre o caminho sem pressa, mas com peso. Seguem-se “Este País Não É Para Mães”, “A Sede do Xega”, “Fronteiras Invisíveis” e “Urgentemente”. Cinco canções onde cada verso assenta sozinho e se sustenta por si.</p>



<p>Há uma linha que atravessa tudo e que, aqui, se sente sem filtro. Nada é dito ao acaso.</p>



<p>“A Sede do Xega” não precisa de explicação. Precisa apenas de ser dita em voz alta, no contexto certo, com o público certo. E esse contexto existe, na forma como a sala escuta, responde e reconhece. Já não é provocação. É afirmação partilhada.</p>



<p>“Fronteiras invisíveis” ecoa não como verso, mas como pergunta aberta. Quantas fronteiras carregamos sem as nomear? Quantas continuam dentro de nós, mesmo quando pensamos que já as ultrapassámos?</p>



<p>“Urgentemente” surge como necessidade. Não como pressa, mas como consciência de que há coisas que já não podem esperar.</p>



<p>E é depois deste primeiro bloco que tudo se expande.</p>



<p>A entrada das cerca de 60 mulheres do <a href="https://www.instagram.com/coro.das.mulheres.da.fabrica/">Coro das Mulheres da Fábrica</a> transforma a sala. O concerto deixa de ser apenas canção e passa a ser corpo coletivo. O que antes era palavra individual ganha dimensão partilhada, memória e intervenção colectiva.</p>



<p>O Coro das Mulheres da Fábrica, que faz um trabalho extraordinário na recolha e reinvenção do cancioneiro tradicional e da oralidade, deixa de ser presença e passa a ser força.</p>



<p>Em “Que Mulher É Essa”, cruzada com versos da tradição oral, “que tristeza é ser mulher, se é bonita tem má fama, se é feia ninguém a quer”, tudo ganha outro peso. Não é apenas canção. É herança viva. E transforma-se num dos momentos mais fortes da noite.</p>



<p>“Dilúvio” não surge como rutura, mas como acumulação, como se tudo o que foi sendo dito ao longo do concerto, encontrasse ali um ponto de descarga emocional, sem nunca perder o controlo.</p>



<p>Depois “Ferry Gold” chega-nos para nos lembrar que nem a natureza permanece pública.</p>



<p>Mas ainda havia espaço para mais, a surpresa da noite: um medley da A Garota Não e do Coro das Mulheres da Fábrica com direito a Cátia a cantar desde System of a Down, “Power to the people”, Rage Against the Machine ou “Vampiros”, “Depois do Adeus”, “Que força é essa” e, para fechar, um Teatro todo de pé a cantar em uníssono a icónica: “Grandola, Vila Morena”.</p>



<p>Desde Torres Vedras até aqui, muita coisa mudou. Os palcos cresceram, o público tornou-se fiel, as salas enchem-se com uma certeza que já não precisa de validação. Mas Cátia continua exatamente onde sempre esteve. A sua verdade não mudou. A sua integridade não foi negociada. E a fama não a transformou, apenas lhe deu mais espaço.</p>



<p>Mais espaço para dizer. Mais espaço para incomodar. Mais espaço para intervir. E talvez seja isso que este concerto revela com mais clareza. Não o crescimento. Mas a amplificação.</p>



<p>No fundo, ver A Garota Não hoje é perceber que há artistas que não mudam para crescer. Crescem para poder ser ainda mais aquilo que sempre foram.</p>



<p>E isso muda tudo.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] Capital da Bulgária &#8211; ensina-me a gostar EP</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Fri, 10 Apr 2026 16:00:00 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Capital da Bulgária, projeto de Sofia Reis, tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais particulares da nova música portuguesa, não tanto pela tentativa de inovar formalmente, mas pela forma como recusa alinhar-se com qualquer expectativa clara, construindo um universo profundamente pessoal. É precisamente nesse território que ensina-me a gostar se instala, não como]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.instagram.com/capitalbulgaria/">Capital da Bulgária</a>, projeto de Sofia Reis, tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais particulares da nova música portuguesa, não tanto pela tentativa de inovar formalmente, mas pela forma como recusa alinhar-se com qualquer expectativa clara, construindo um universo profundamente pessoal.</p>



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</div>



<p>É precisamente nesse território que <em>ensina-me a gostar</em> se instala, não como afirmação de um caminho, mas como continuação de um processo que nunca se pretende fechado.</p>



<p>Ao longo das faixas, há uma sensação constante de instabilidade emocional que não se resolve, mas também não se dramatiza, como se cada canção existisse num ponto intermédio entre querer sentir e não saber exatamente como o fazer.</p>



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</div>



<p>Nesta Capital o amor é deslocado do lugar espontâneo para um território quase aprendido, como se gostar fosse algo que se treina, que se tenta, que se falha repetidamente, e essa noção atravessa o EP inteiro sem nunca ser explicada diretamente, surgindo antes como uma presença difusa que condiciona tudo o resto, desde a forma como a voz se posiciona até à maneira como os arranjos evitam qualquer excesso ou resolução.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] Ricardo Ribeiro &#8211; A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Sat, 04 Apr 2026 18:14:05 +0000</pubdate>
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		<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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		<category><![CDATA[Ricardo Ribeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[“A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe” é o mais recente álbum de Ricardo Ribeiro, composto por 11 temas incluindo “Má Sorte”, &#8220;Amanhã&#8221;, &#8220;51&#8221; ou “Maré”, este último com participação de Ana Moura (e já destacado no EM). Ricardo Ribeiro sempre foi um intérprete que parece cantar como se estivesse a atravessar alguma coisa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe” é o mais recente álbum de <a href="https://www.instagram.com/ricardoribeiromusic/">Ricardo Ribeiro,</a> composto por 11 temas incluindo “Má Sorte”, &#8220;Amanhã&#8221;, &#8220;51&#8221; ou “Maré”, este último com participação de Ana Moura (e já destacado no EM).</p>



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</div>



<p>Ricardo Ribeiro sempre foi um intérprete que parece cantar como se estivesse a atravessar alguma coisa. Nunca foi apenas técnica, nem apenas tradição. Há nele uma inquietação constante, uma espécie de desassossego que não cabe dentro das formas mais fechadas do Fado. </p>



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</div>



<p>“A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe” assume desde o início que a identidade é fragmentada, que aquilo que sentimos raramente encontra forma suficiente para existir dentro de um género, de uma linguagem ou até de um corpo. O próprio disco nasce dessa urgência interior, de algo que precisava de sair sem necessariamente se explicar</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Musicalmente, o Fado continua a ser o ponto de partida, está lá na guitarra portuguesa, na respiração, na forma como a voz ocupa o espaço, mas nunca por aí se esgota. Há momentos onde a música se aproxima de outras geografias, outras tradições, quase como se o Fado fosse apenas uma raiz a partir da qual tudo o resto se expande. Não há aqui uma tentativa de modernizar o Fado de forma óbvia.</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Este disco vive muito da forma como se expande para fora de si. Há temas inteiramente seus: “Amanhã”, “Mantra”, “Morena”, onde a escrita funciona quase como extensão direta da voz. Mas depois há outros pontos de tensão: “51”, que abre o disco com assinatura de <strong>A Garota Não</strong>, introduz logo uma linguagem mais contemporânea; “Golpe a Golpe” cruza letra do próprio Ricardo com música de <strong>Amélia Muge</strong>; “Oração” nasce da escrita de <strong>Teresa Núncio</strong> com composição de <strong>Manuel Oliveira</strong>.</p>



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</div>



<p>E é aqui que o disco ganha outra dimensão. Porque não estamos perante um álbum fechado na identidade de um autor, mas sim perante um espaço onde várias escritas coexistem: <strong>Manuel Alegre, Paulo César Pinheiro, Manuel Alcântara</strong>, nomes que trazem consigo outras tradições, outras histórias, outras formas de dizer o mesmo sentimento.</p>



<p>A produção está maioritariamente nas mãos de <strong>Bernardo Saldanha e Manuel Oliveira</strong>, com exceções como “Má Sorte”, “Maré” e “Amanhã”, produzidas por Agir e pelo próprio Ricardo Ribeiro.</p>



<p>Os músicos que acompanham o disco: <strong>Ângelo Freire</strong> na guitarra portuguesa, <strong>Manuel Oliveira</strong> no piano, <strong>Rodrigo Correia</strong> no contrabaixo, <strong>Alexandre Frazão </strong>na bateria não estão ali para ornamentar. Estão para sustentar com a mestria de sempre, permitindo que as interpretações de Ricardo Ribeiro e as palavras percorram compassadamente o seu caminho permitindo-lhes terem o seu próprio tempo.</p>



<p>Um trabalho para ser ouvido com o tempo que merece.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] Dário Pi &#8211; Sonho da Liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Fri, 27 Mar 2026 15:06:53 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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		<category><![CDATA[Dário Pi]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
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					<description><![CDATA[Sonho da Liberdade, de Dário Pi, nasce da tensão entre o que se é e o que se tenta ser num mundo que raramente oferece espaço para essa transformação. Construído em torno do conceito de “Cidadão Pi”, o disco percorre um território onde identidade, pressão social e sobrevivência emocional se cruzam constantemente. Faixas como “Rotina”,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sonho da Liberdade</em>, de <a href="https://www.instagram.com/dariopi.pt/">Dário Pi</a>, nasce da tensão entre o que se é e o que se tenta ser num mundo que raramente oferece espaço para essa transformação. Construído em torno do conceito de “Cidadão Pi”, o disco percorre um território onde identidade, pressão social e sobrevivência emocional se cruzam constantemente. Faixas como “Rotina”, “Paranoia” ou “Submundo” não funcionam apenas como capítulos, aparentam ser estados mentais e fragmentos de uma consciência que oscila entre lucidez e desgaste.</p>



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</div>



<p>Há uma crueza assumida na forma como Dário Pi escreve. Não há tentativa de suavizar o discurso ou de o tornar confortável. Pelo contrário, o álbum insiste em manter o ouvinte dentro desse espaço apertado, onde a liberdade surge mais como necessidade do que como conquista. E talvez seja essa a sua maior força: não romantizar aquilo que, na prática, é difícil de viver.</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Mas <em>Sonho da Liberdade</em> não é apenas sobre opressão ou conflito. Há também momentos onde se insinua uma possibilidade de saída, ainda que nunca totalmente clara. A “esperança”, enquanto conceito, aparece mais como uma hipótese do que como um destino garantido. E isso torna o disco mais honesto: não promete redenção, apenas consciência.</p>



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		<title>[Album Review] Krazye Loko &#8211; Brilho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Thu, 19 Mar 2026 19:30:00 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Albums]]></category>
		<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
		<category><![CDATA[New Album]]></category>
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					<description><![CDATA[Há discos que contam histórias. E depois há aqueles que são a própria história a acontecer, sem filtros, sem distância, quase sem proteção. Brilho, de Krazye Loko, pertence claramente a esse segundo lugar: um espaço onde a música deixa de ser representação e passa a ser vivência em estado bruto. Desde os primeiros segundos, percebe-se]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há discos que contam histórias. E depois há aqueles que são a própria história a acontecer, sem filtros, sem distância, quase sem proteção. <em>Brilho</em>, de <a href="https://www.instagram.com/krazyeloko/">Krazye Loko</a>, pertence claramente a esse segundo lugar: um espaço onde a música deixa de ser representação e passa a ser vivência em estado bruto.</p>



<p>Desde os primeiros segundos, percebe-se que este não é um álbum construído para impressionar, mas para dizer. Cada faixa surge como um fragmento de percurso, um pedaço de caminho onde se acumulam memórias, erros, tentativas e pequenas vitórias. Não há aqui personagens nem ficção: há um homem, Pedro Castro, a organizar-se por dentro enquanto avança.</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Ao longo das dez faixas, <em>Brilho</em> desenha-se como um retrato cru e verdadeiro de um homem que luta por ser mais e, nas palavras do próprio <em>&#8220;Espero que cada faixa te faça sentir algo, que te motive a continuar a lutar pelos teus objetivos e a acreditar no teu próprio caminho.&#8221;</em></p>



<p>Começa mais fechado, mais denso, com temas como “Flash’s” ou “Especial”, onde a introspeção pesa e a voz parece carregar mais passado do que futuro. Há uma inquietação constante, uma espécie de respiração curta que atravessa estes primeiros momentos, como quem ainda não encontrou o ritmo certo para seguir.</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Mas o disco não fica aí. Lentamente, quase sem que se dê por isso, começa a abrir. “Astral” e “Brilho” funcionam como pontos de viragem, não tanto pela sonoridade, mas pela intenção. O discurso muda. Já não é só sobre o que foi, é sobre o que pode ser. E é nesse deslocamento subtil que o álbum ganha dimensão: quando deixa de olhar para trás e começa, finalmente, a caminhar.</p>



<p>A partir daí, há uma energia diferente. “Mais forte” ou “Tou no topo” não são afirmações vazias, são consequência. Não soam a vitória fácil, mas a resistência acumulada. Como se cada palavra tivesse passado primeiro pelo corpo antes de chegar ao microfone.</p>



<p>Musicalmente, <em>Brilho</em> acompanha esse percurso com uma produção mais limpa e direta, deixando espaço para a mensagem respirar. Tudo está ao serviço daquilo que o álbum quer ser: um reflexo honesto de um processo interno. As participações surgem de forma pontual, sem nunca desviar o foco do centro.</p>



<div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div>



<p>Mas o mais interessante em <em>Brilho</em> não está nas músicas isoladas. Está na forma como elas se ligam. Este não é um álbum de singles, é um percurso. Cada faixa funciona como um estado emocional diferente, mas todas partilham a mesma linha invisível: a tentativa de sair da sombra sem negar o que lá ficou.</p>



<p>E talvez seja essa a sua maior força. <em>Brilho</em> não tenta apagar o passado nem reescrevê-lo. Limita-se a colocá-lo ao lado do presente e a seguir em frente com ele. </p>



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</div>



<p>No fim, o que fica não é uma conclusão, mas uma sensação: a de alguém que finalmente percebeu que a luz não vem de fora.</p>



<p></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] Marco Oliveira &#8211; Caminho é Quanto Fica da Viagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubdate>Mon, 09 Mar 2026 19:20:00 +0000</pubdate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
		<category><![CDATA[New Album]]></category>
		<category><![CDATA[New Single]]></category>
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		<category><![CDATA[José Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[Caminho é Quanto Fica da Viagem, o novo trabalho de Marco Oliveira em colaboração com o guitarrista José Peixoto, chega-nos para se colocar, necessariamente, como um dos álbuns que fará parte de várias listas de melhores do ano. Neste quarto álbum do fadista lisboeta, a música surge como resultado de um diálogo criativo entre duas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Caminho é Quanto Fica da Viagem</em></strong>, o novo trabalho de <strong><a href="https://www.instagram.com/marcooliveira_music/">Marco Oliveira</a> </strong>em colaboração com o guitarrista<strong> <a href="https://www.instagram.com/josepeixotomusico/">José Peixoto</a></strong>, chega-nos para se colocar, necessariamente, como um dos álbuns que fará parte de várias listas de melhores do ano.</p>



<p>Neste quarto álbum do fadista lisboeta, a música surge como resultado de um diálogo criativo entre duas sensibilidades: a voz e escrita de Marco Oliveira e o universo instrumental e composicional de José Peixoto, músico com uma longa carreira e presença marcante em projetos como Madredeus, El Fad ou Lisboa String Trio. É também Peixoto quem assume a produção e os arranjos do disco, moldando a sua atmosfera sonora.</p>



<p>O repertório inclui poemas de alguns dos grandes autores portugueses do século XX &#8211; Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Sebastião da Gama ou Miguel Torga &#8211; integrados numa narrativa musical que aproxima o fado da poesia e da reflexão.</p>



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</div>



<p>Canções como <strong>“Canção do Medo”</strong> revelam bem esse equilíbrio entre tradição e interioridade. A voz de Marco Oliveira mantém a intensidade emocional característica do Fado, mas nunca se entrega ao excesso dramático. Pelo contrário, a interpretação é contida, quase meditativa, deixando espaço para que as palavras e as guitarras respirem.</p>



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<p>É aqui que a contribuição de José Peixoto se torna decisiva. Os arranjos são discretos mas profundamente expressivos, criando uma paisagem sonora que respeita a matriz do fado ao mesmo tempo que a abre a outras possibilidades musicais.</p>



<p>No final, <em>Caminho é Quanto Fica da Viagem</em> não se apresenta apenas como mais um disco dentro do universo do Fado contemporâneo. É antes um trabalho de encontro entre música e poesia, onde é preciso tempo, dedicação e vontade de parar e escutar.</p>



<p>E, tal como o título do álbum (frase retirada do Fado das Nuvens, uma canção inédita de José Mário Branco) parece sugerir, no fundo, o mais importante não é apenas a viagem que fazemos, mas aquilo que permanece dentro de nós depois de regressarmos.</p>



<p>Foto: Vitorino Coragem</p>]]></content:encoded>
					
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