{"id":3617,"date":"2018-11-19T14:32:16","date_gmt":"2018-11-19T14:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=3617"},"modified":"2018-11-20T12:04:15","modified_gmt":"2018-11-20T12:04:15","slug":"entrevista-david-fonseca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/entrevista-david-fonseca\/","title":{"rendered":"[Interview] David Fonseca -"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;font-size: 14pt\"><strong>David Fonseca<\/strong>, que na semana passada, esteve no Coliseu de Lisboa (Review dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/review-david-fonseca-coliseu-de-lisboa-14-11-2018\/\">AQUI<\/a>) e no Coliseu do Porto na comemora\u00e7\u00e3o dos seus 20 anos de carreira, partilhou de forma pormenorizada com o <strong>Musical Eclecticism<\/strong>\u00a0a sua vis\u00e3o sobre a sua carreira, as transforma\u00e7\u00f5es que o mundo da m\u00fasica tem vindo a ter e as m\u00fasicas e \u00e1lbuns que mais o influenciaram. Uma entrevista imperd\u00edvel para ler com tempo e dedica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Come\u00e7ando meio em jeito de provoca\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, quando se coloca as coisas na perspectiva de \u201ceu gostava mesmo era de ser fot\u00f3grafo a tempo inteiro\u201d (a tua primeira atividade remunerada) e se tem uma carreira musical de refer\u00eancia j\u00e1 com 20 anos, \u00e9 mesmo assim ou foi mais uma forma de ter um plano B pr\u00e9-anunciado\/definido para o caso de o sucesso deixar de existir?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> De facto, \u00e9 mesmo assim porque talvez tenha sido, desde sempre, o meu sonho principal seguir fotografia, como uma esp\u00e9cie de um emprego a tempo inteiro. Mas nunca quis dizer que quisesse deixar a m\u00fasica por causa disso. Acho que aquilo que eu queria era ter tempo para perseguir esta atividade de uma forma mais consistente, mas n\u00e3o tenho essa ideia de que vou ser fot\u00f3grafo, caso o sucesso deixe de existir, nem acho que as coisas se medem assim. Acho que ao longo do tempo, as coisas v\u00e3o acontecendo quando t\u00eam que acontecer. E pode ser que um dia eu possa ter tempo para fazer mais fotografia do que aquilo que queria, tamb\u00e9m por decis\u00e3o, posso decidir assim ou ent\u00e3o n\u00e3o, e continuo a fazer como fa\u00e7o agora que \u00e9 cruzar essas artes todas em coisas t\u00e3o distintas, mas sempre dentro do mundo da m\u00fasica. <\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_VtrSzFnVUY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Entre a melancolia da juventude dif\u00edcil, t\u00e3o presente na tua discografia e o esp\u00edrito divertido e leve de alguns dos v\u00eddeos de maior sucesso, podemos dizer que a m\u00fasica transformou um nerd de Leiria, num homem confiante e tranquilo com as suas escolhas? Ou a melancolia das can\u00e7\u00f5es ainda por a\u00ed habita e \u00e9 precisamente por isso que n\u00e3o te (queres) levar muito a s\u00e9rio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Eu acho que a melancolia sempre existir\u00e1 nas minhas can\u00e7\u00f5es, mesmo nas can\u00e7\u00f5es mais leves h\u00e1 sempre um tra\u00e7o melanc\u00f3lico qualquer, porque acho que \u00e9 uma faceta muito espec\u00edfica da minha personalidade. Mas acho que nos primeiros tempos \u00e9 poss\u00edvel que eu escrevesse mais sobre assuntos mais melanc\u00f3licos, isso tamb\u00e9m tem a ver com a descoberta das coisas ao longo da idade, acho eu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Numa altura quis escrever mais sobre umas coisas, noutras quis escrever mais sobre outras, mas na realidade sempre houve uma esp\u00e9cie de uma pessoa muito festiva por baixo de todas aquelas can\u00e7\u00f5es, porque, na minha vida, fora do plano musical e fora dos palcos, sou uma at\u00e9 bastante expansiva, digamos assim. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Portanto eu acho \u00e9 que nem sempre trazia isso para dentro das can\u00e7\u00f5es e ao longo dos anos tive um bocadinho mais a coragem de o fazer, porque acho que \u00e9 preciso mais coragem para trazer ao de cima esse lado mais festivo do que o lado contemplativo. O lado contemplativo, pelo menos, ligo mais \u00e0s can\u00e7\u00f5es e ao lado de escrever, enquanto o festivo nem sempre \u00e9 t\u00e3o simples escrever uma m\u00fasica mais festiva, pelo menos para mim.<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yFWVuVcPPiw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: \u201c<\/strong><strong>Oh my heart, stay out of my head\/ <\/strong><strong>My head, get out of my heart\u201d Esta \u00e9 a dicotomia que te acompanha entre o\u00a0 \u201centrar no cora\u00e7\u00e3o\u201d e o que a raz\u00e3o determina?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Curiosamente essa dicotomia que falo aqui tem muito a ver com essa melancolia, apesar da can\u00e7\u00e3o ser claramente alegre, fala de uma coisa que na sua ess\u00eancia n\u00e3o \u00e9 propriamente a mensagem mais alegre do mundo. Isso \u00e9 uma coisa muito presente nas minhas can\u00e7\u00f5es, ou seja, a ideia da can\u00e7\u00e3o fala muito sobre esse di\u00e1logo que existe entre a raz\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">\u00c0s vezes, a insensatez do cora\u00e7\u00e3o versus o calculismo da cabe\u00e7a, que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil gerir tanto uma como outra, e que por norma \u00e9 no discurso entre as duas que se encontram as coisas que se fazem na vida e as coisas constroem a nossa vida, mas eu acho que \u00e9 assim em quase tudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Escrevemos na <a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/review-david-fonseca-radio-gemini\/\">review<\/a> de \u201cRadio Gemini\u201d que <\/strong><strong><em>\u201c<\/em><\/strong><strong><em>A maturidade art\u00edstica que David (sim, \u00e9 verdade,\u00a0est\u00e1 a cumprir 20 anos de carreira!) apresenta nesta sua \u201cemiss\u00e3o de Radio\u201d permite afirmar que, em termos criativos,\u00a0este \u00e9, at\u00e9 ao momento, o seu melhor \u00e1lbum.\u201c<\/em><\/strong> <strong>Partilhas dessa vis\u00e3o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Bem \u00e9 sempre complexo saber se \u00e9 o meu melhor disco ou n\u00e3o. Acho sempre que o meu melhor disco \u00e9 sempre o \u00faltimo por uma raz\u00e3o muito simples, porque quando fa\u00e7o discos novos, de alguma maneira estou com o machado a deitar abaixo o disco anterior. Ou seja, \u00e9 como se os discos anteriores me empurrassem a fazer uma coisa que ainda n\u00e3o fiz, que seja diferente e, como tenho uma predile\u00e7\u00e3o clara por fazer coisas novas, muito mais que recordar as que j\u00e1 fiz, tenho sempre uma energia e uma f\u00e9 muito grandes naquilo que de novo estou a fazer, talvez tenha a ver com a minha rela\u00e7\u00e3o com o presente que \u00e9 muito viva. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">E cada vez mais, tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito mais viva com o presente do que com o passado. H\u00e1 pessoas que vivem muito na ideia do passado, na ideia das coisas que j\u00e1 aconteceram, mas eu prendo-me muito com a ideia do presente. Vivo mais no presente, do que propriamente com ideia no futuro, tamb\u00e9m n\u00e3o penso muito nisso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Mas partilho da vis\u00e3o que \u00e9 o meu melhor disco porque todos os meus \u00faltimos discos s\u00e3o sempre os meus melhores discos, do ponto de vista dessa novidade, dessa frescura que eu acho que est\u00e1 presente e depois, porque os discos quando se fazem falam muito acerca do presente. Portanto sinto-me sempre mais ligado aos discos que acabei de fazer e n\u00e3o aos meus discos que t\u00eam mais anos, que falam sempre de outras \u00e9pocas e fases da minha vida e, este fala desta \u00e9poca agora. Nesse sentido, ser\u00e1 o disco que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de mim. <\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/18n4udHd6oM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Esta emiss\u00e3o de Radio n\u00e3o seria poss\u00edvel num mundo em que o CD f\u00edsico (e as suas vendas) ainda fossem decisivas para \u201cconstruir carreiras\u201d? Este \u00e9 o teu manifesto de liberdade criativa?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Bem, eu j\u00e1 n\u00e3o sei muito bem se o CD f\u00edsico \u00e9 algo importante ou n\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7o ideia. Eu acho que hoje, cada vez mais, as pessoas gostam de ouvir can\u00e7\u00f5es mais do que discos, talvez porque os formatos e a forma como se ouve m\u00fasica hoje \u00e9 completamente diferente do que ouvia h\u00e1 10 anos, mas isto n\u00e3o tem mal nenhum. H\u00e1 muitas pessoas que ficam indignados com esta nova forma de ouvir m\u00fasica, incluindo muitos m\u00fasicos, mas acho que a m\u00fasica vai sempre ser ouvida da forma que as pessoas querem ouvi-la, n\u00e3o s\u00e3o os m\u00fasicos, nem a ind\u00fastria,\u00a0que tem que ditar a forma como as pessoas consomem m\u00fasica e, hoje, de facto, consomem-se muito mais can\u00e7\u00f5es do que discos na sua \u201clong play\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">As pessoas ouvirem can\u00e7\u00f5es e uma esp\u00e9cie de um enleamento de can\u00e7\u00f5es de uma ponta \u00e0 outra. No entanto, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o queira defender uma ideia espec\u00edfica, ou seja, este disco foi feito como uma emiss\u00e3o de r\u00e1dio, mas tal como qualquer outra emiss\u00e3o de r\u00e1dio, as can\u00e7\u00f5es vivem fora dessa emiss\u00e3o. Essa emiss\u00e3o pretende defender uma ideia, mas as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o livres de serem ouvidas de outra forma completamente diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Do meu ponto de vista, quis foi lan\u00e7ar essa ideia, ou seja, quis que essa ideia fosse presente para quem quisesse ouvir dessa forma. Quem n\u00e3o quiser ouvir dessa forma, n\u00e3o h\u00e1 problema absolutamente nenhum, mas eu acho que \u00e9 o meu dever como v\u00e1, a pessoa que tem a ideia, lev\u00e1-la at\u00e9 ao final na sua forma original. Depois a forma como as pessoas a consomem ou como olham para ela, isso \u00e9 uma coisa completamente diferente e que n\u00e3o tenho assim tanto controle como isso mas continuo achar que, acima de tudo, os criadores devem defender as suas ideias originais independentemente da forma como depois s\u00e3o consumidas.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3650\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Vertigo-3by-David-Fonseca.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"898\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Vertigo-3by-David-Fonseca.jpg 700w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Vertigo-3by-David-Fonseca-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Vertigo-3by-David-Fonseca-684x1024.jpg 684w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Consideras que o facto de teres come\u00e7ado a carreira musical um pouco ao contr\u00e1rio do que \u00e9 habitual (ie., do nada para mais de 240 mil c\u00f3pias vendidas em Portugal e um n\u00famero inacredit\u00e1vel de concertos em poucos meses) te ofereceu um incomum conforto na vida de um artista e te permitiu escolheres sempre fazer o que te apetecia ou, ao inv\u00e9s, foste sentindo por isso mesmo mais press\u00e3o externa e interna para seguir um determinado caminho \u201ccertinho\u201d?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Ter muito sucesso logo ao in\u00edcio de uma carreira \u00e9 sempre um pau de 2 bicos, porque de um ponto de vista, de facto uma pessoa que tem um momento t\u00e3o incr\u00edvel de sucesso logo ao primeiro disco faz com que\u00a0 tenha mais liberdade para discutir o que quer fazer no futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">No entanto, n\u00e3o salvaguardo o futuro para todo o sempre, isso \u00e9 imposs\u00edvel. Tamb\u00e9m se pode ver que a partir de um sucesso inacredit\u00e1vel como os Silence 4, o mais prov\u00e1vel era que a banda ou qualquer carreira s\u00f3 pudesse descer a partir da\u00ed, porque sucessos como os Silence 4 s\u00f3 acontecem uma vez, muito de vez em quando. Mesmo na hist\u00f3ria da m\u00fasica portuguesa, n\u00e3o h\u00e1 assim tantos casos de um sucesso semelhante, lembro-me dos Delfins, do Pedro Abrunhosa, e de mais um ou dois, mas n\u00e3o muitos na hist\u00f3ria da m\u00fasica portuguesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Portanto o que acontece \u00e9 que depois uma pessoa herda um problema muito grande, ou seja, \u00e9 ter que ter uma banda que tem um sucesso desmesurado e depois como \u00e9 que mant\u00e9m esse sucesso ou como \u00e9 que lida com esse sucesso ao longo do tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">No caso da nossa banda, n\u00e3o aconteceu isso porque a banda acabou muito pouco tempo depois desse sucesso e aquilo que herdei como artista a solo foi um papel mesmo muito dif\u00edcil porque estava a sair de uma banda de sucesso enorme e estava a come\u00e7ar uma carreira a solo que ningu\u00e9m sabia se ia resultar ou n\u00e3o, e que tinha tudo contra mim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Lembro-me do primeiro ano em que toquei o meu disco a solo e n\u00e3o tocava as m\u00fasicas dos Silence 4 em palco e era muitas vezes vaiado, era dif\u00edcil explicar \u00e0s pessoas que aquilo que estava a fazer n\u00e3o era a mesma coisa que fazia anteriormente, isso foi muito mais complexo do que come\u00e7ar do zero porque, por um lado, as pessoas j\u00e1 conheciam o que eu fazia mas, por outro, havia uma resist\u00eancia muito grande por eu estar a fazer alguma coisa muito diferente da banda que tinha tido aquele sucesso inacredit\u00e1vel. Mas eu acho que todos os percursos s\u00e3o sempre percursos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Eu comecei dessa maneira, podia ter come\u00e7ado de outra mas de qualquer maneira que fosse iria ter as suas vantagens e desvantagens, e este foi o meu, n\u00e3o h\u00e1 maneira de rodear isso. Cada um tem o seu percurso e este foi o meu e eu aceito-o como ele foi e gosto muito da forma como ele aconteceu, mas n\u00e3o acho que nada tenha sido determinante para chegar aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">A \u00fanica coisa determinante para eu fazer m\u00fasica durante tanto tempo tem muito a ver com a minha especifica de o fazer, tem muito a ver com a dedica\u00e7\u00e3o que tive sempre \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 minha atividade e ao gosto que tenho por fazer isto. Eu gosto tanto de fazer isto que acabei por lutar para conseguir ultrapassar todas as dificuldades e estar aqui durante todos estes tempos.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3649\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Portrait-2-by-David-Fonseca.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"973\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Portrait-2-by-David-Fonseca.jpg 700w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Portrait-2-by-David-Fonseca-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/David-Fonseca_Radio-Gemini_Portrait-2-by-David-Fonseca-684x1024.jpg 684w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Quando crescemos t\u00ednhamos acesso a um n\u00famero muito reduzido de artistas e, como tal, pass\u00e1vamos a conhecer, devorar e colecionar tudo o que aquele artista ia fazendo. Parece-te que o imediatismo dos tempos atuais e a maximiza\u00e7\u00e3o do streaming democratizou o acesso, mas, simultaneamente, aumentou a concorr\u00eancia a um n\u00edvel insuport\u00e1vel? Como v\u00eas essa \u201cluta\u201d?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Sim, a forma como as pessoas consomem m\u00fasica mudou radicalmente. Ali\u00e1s, um dos fatores de sucesso dos Silence 4 tem a ver com o facto das bandas usarem muito os meios de comunica\u00e7\u00e3o habituais para chegarem \u00e0s pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Hoje em dia, as pessoas escolhem muito mais o que querem ouvir. E existe uma oferta infind\u00e1vel de artistas, de projetos e acontecem novos todos os dias e, todos os dias, h\u00e1 algu\u00e9m a tentar furar nesse mundo que \u00e9 a Internet para chegar a algu\u00e9m do outro lado. E isso fez com que deixasse de existir aqueles mega projetos, portanto n\u00e3o existe a possibilidade de existir esses mega projetos, porque essa fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 total.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar a tantas pessoas de tanta forma passiva como era antigamente e, de uma certa forma, tornou o mercado um bocadinho mais justo, no meu ponto de vista, porque eu tamb\u00e9m n\u00e3o percebia muito bem como \u00e9 que era poss\u00edvel tanta gente ouvir a mesma coisa. Ou seja, parecia-me que existia muito falta de acesso a outras propostas e que, depois faziam com que muitas bandas, ou nunca saiam da obscuridade ou ent\u00e3o para sa\u00edrem tinham de facto que obter um sucesso incr\u00edvel para conseguirem chegar \u00e0s pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Ora hoje n\u00e3o \u00e9 bem assim, hoje existem muitas formas de chegar \u00e0s pessoas, e n\u00e3o \u00e9 apenas a for\u00e7a dos media que determina o quanto \u00e9 que aquelas m\u00fasicas e aquela banda chegar\u00e1 ao outro lado. Portanto, eu acho que \u00e9 mais democr\u00e1tico agora, tamb\u00e9m \u00e9 muito mais dif\u00edcil porque, l\u00e1 est\u00e1, existem tantos projetos que \u00e9 muito mais complexo fazer ouvir um projeto que seja, efetivamente, bom. Um dos problemas que a Internet traz, do meu ponto de vista, \u00e9 que \u00e9 muito complexo separar o trigo do joio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Para ouvir uma banda que uma pessoa efetivamente goste, tem que ouvir um mar de bandas que, se calhar, n\u00e3o vai sentir nenhuma atra\u00e7\u00e3o por elas nem nenhuma vontade de os ouvir, isto por experi\u00eancia pr\u00f3pria. Muitas vezes ou\u00e7o as playlists que estes canais nos oferecem para descobrir m\u00fasica nova e 95% das vezes n\u00e3o gosto daquilo que me prop\u00f5e, mas de vez em quando l\u00e1 aparece uma coisa que eu acho interessante e que possa ter alguma coisa que me interesse explorar. Mas l\u00e1 est\u00e1, o mais dif\u00edcil \u00e9, de facto, separar esse trigo do joio.<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1DE2UJ0V4bs\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: A prop\u00f3sito, qual consideras ser o \u00abestado d\u2019arte\u00bb da m\u00fasica feita em Portugal?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Eu penso que a m\u00fasica portuguesa vive um momento \u00f3timo, ou seja, h\u00e1 muito mais m\u00fasica a sair todos os dias praticamente. Em Portugal, existem literalmente todos os g\u00e9neros de m\u00fasica! Uma das coisas que observo quando vou a festivais l\u00e1 fora \u00e9 que as nossas propostas musicais, c\u00e1 em Portugal, s\u00e3o muito mais variadas, do que as propostas musicais deles. Pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o anglo-sax\u00f3nicos e que nas suas propostas n\u00e3o t\u00eam tanta variedade como n\u00f3s temos no nosso pa\u00eds. N\u00f3s somos um pa\u00eds muito pequeno e para o tamanho que temos, a variedade de m\u00fasica e propostas que existem \u00e9 de facto fabuloso, e a qualidade que t\u00eam tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Cada vez mais \u00e9 bom de ver que tantos projetos que saem todos os dias tem uma preocupa\u00e7\u00e3o incr\u00edvel em que o seu projeto tenha uma certa qualidade, n\u00e3o s\u00f3 musical como na forma de apresenta\u00e7\u00e3o, na forma como fazem os seus v\u00eddeos, na forma como se apresentam \u00e0s pessoas, h\u00e1 ali uma preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica desde a g\u00e9nese dos projetos. E \u00e9 por isso que tantos destes projetos conseguem sair das suas garagens, dos quartos, dos seus computadores, sim porque hoje em dia \u00e9 muito f\u00e1cil fazer m\u00fasica e pass\u00e1-la para o outro lado, para o lado de quem est\u00e1 a ouvir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">V\u00ea-se tamb\u00e9m que muitas dessas pessoas trabalham imenso para que estes projetos tenham p\u00e9s e cabe\u00e7a, para que n\u00e3o seja apenas uma coisa que aconteceu naquele dia. Por isso acho que estamos a viver um momento muito bom, mas faltam algumas coisas como um bom gabinete de exporta\u00e7\u00e3o de m\u00fasica portuguesa, algo que sempre faltou. Logo no in\u00edcio, quando comecei a fazer m\u00fasica sempre faltou um gabinete estatal que olhasse para a m\u00fasica portuguesa como uma forma cultural e de expans\u00e3o do nosso pa\u00eds l\u00e1 fora, e falta tamb\u00e9m uma presen\u00e7a mais regular<\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">\u00a0da m\u00fasica na televis\u00e3o, pois \u00e9 uma coisa que foi quase erradicada e, neste tempo todo, foi desaparecendo lentamente de um dos meios que \u00e9 o mais visto por todas as pessoas no nosso pa\u00eds, e isso \u00e9 uma coisa que me traz alguma pena. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mtrNxHXPGW8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Que nomes colocavas no teu \u201cFestival Ideal\u201d? (Vivos ou n\u00e3o)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Se fosse para escolher eu iria para grande parte dos que j\u00e1 n\u00e3o c\u00e1 est\u00e3o, porque se fosse para escolher ent\u00e3o mais que fosse uma coisa imposs\u00edvel. Trazia o <strong>Jeff Buckley<\/strong> de certeza para encabe\u00e7ar um dos dias, trazia os <strong>Cocteau Twins<\/strong>\u00a0que foi uma banda que diz a lenda nunca tocou bem ao vivo, mas gostava de os ver a tocar bem ao vivo. Trazia os <strong>The Doors<\/strong> na sua forma\u00e7\u00e3o original, trazia o<strong> Elvis Presley<\/strong>, o <strong>Roy Orbison<\/strong> e trazia os <strong>Nirvana<\/strong> porque tamb\u00e9m foi uma banda que desapareceu cedo demais, foi uma banda que ainda por cima tive oportunidade de ver quando vieram c\u00e1 a Portugal, isso j\u00e1 seria um festival incr\u00edvel!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Se tivesses que identificar os 5 melhores \u00e1lbuns de sempre, qual era a tua escolha? E porqu\u00ea?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> \u00c9 sempre dif\u00edcil escolher discos, como os melhores discos, as coisas est\u00e3o sempre a variar e tenho tantos que, vou escolhendo diferentes consoante o dia que estou a atravessar. <\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">No entanto, vou escolher estes:<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3653\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/51BmfdfBBL._SX466_.jpg\" alt=\"\" width=\"279\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/51BmfdfBBL._SX466_.jpg 466w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/51BmfdfBBL._SX466_-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/51BmfdfBBL._SX466_-300x300.jpg 300w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">O <strong>Jeff Buckley<\/strong> com o<strong> \u201cGrace\u201d<\/strong> porque continuo a achar que \u00e9 um disco que n\u00e3o tem tempo, que pode ser tocado em qualquer altura, e que nos transporta imediatamente para qualquer s\u00edtio. \u00c9 um disco inspirado, ou seja, n\u00e3o percebo como \u00e9 que todas aquelas can\u00e7\u00f5es surgem naquele contexto, um disco efetivamente fora de s\u00e9rie.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3655\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-5.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-5.jpg 225w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-5-150x150.jpg 150w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Escolho o <strong>Tom Waits<\/strong>, e discos dele podiam ser muitos, mas escolho o <strong>\u201cThe Black Rider\u201d<\/strong> porque \u00e9 um dos meus compositores favoritos de sempre, \u00e9 um universo totalmente \u00e0 parte e este disco \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u00f3pera escrita com o Robert Wilson que fala do dem\u00f3nio e \u00e9 um daqueles discos que me acompanhou desde muito cedo e que ouvi centenas de vezes.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3656\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Langleypark.jpg\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Langleypark.jpg 300w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Langleypark-150x150.jpg 150w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Escolho tamb\u00e9m os <strong>Prefab Sprout<\/strong> com o disco <strong>\u201cFrom Langley Park To Memphis\u201d<\/strong> porque foi talvez o primeiro disco que ouvi como LP, ou seja, era muito mi\u00fado e ouvia can\u00e7\u00f5es que passavam na r\u00e1dio e na televis\u00e3o, e este disco foi a primeira vez que me foi dado a ouvir um disco de uma ponta \u00e0 outra e que eu realmente me interessei pelo objeto do CD, na altura do vinil, pelo objeto de uma banda que lan\u00e7ou um conjunto de can\u00e7\u00f5es. Ainda hoje acho que o Paddy McAloon \u00e9 um dos maiores escritores de sempre, do mundo inteiro. Eu tenho um grande prazer em ouvir as can\u00e7\u00f5es dos Prefab Sprout de qualquer disco, e este \u00e9 um dos que gosto mais talvez por ter sido o primeiro.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3657\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_.jpg 1050w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_-768x766.jpg 768w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/716voHp6zOL._SL1050_-1024x1021.jpg 1024w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Escolho tamb\u00e9m os <strong>Pixies<\/strong> com o \u00e1lbum <strong>\u201cSurfer Rosa\u201d,<\/strong> porque toda a banda e a sua discografia foram extremamente importantes para mim como m\u00fasico, acho que foi a banda que me empurrou a querer ser m\u00fasico e a querer tocar guitarra. As minhas primeiras can\u00e7\u00f5es eram todas derivadas de can\u00e7\u00f5es dos Pixies e este disco especialmente \u00e9 o melhor de todos. Curiosamente, esta foi a banda que vi um concerto todo e conheci as m\u00fasicas de uma ponta \u00e0 outra, em quase 2h de concerto e n\u00e3o houve uma \u00fanica m\u00fasica que n\u00e3o reconhecesse.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-3658\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-1-1.jpg 225w, https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/transferir-1-1-150x150.jpg 150w\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">E finalmente, escolho o <strong>Prince<\/strong> como o<strong> \u201cSign &#8220;O&#8221; the Times\u201d<\/strong>, que foi um dos discos que mais ouvi na minha vida. \u00c9 um disco absolutamente fabuloso, o Prince era um g\u00e9nio e acho que sempre foi um g\u00e9nio, \u00e0s vezes mais compreendido e outras vezes menos, mas aqui neste disco e tamb\u00e9m no <strong>\u201cLove Sexy\u201d,<\/strong> o disco seguinte, ele est\u00e1 em topo de forma e \u00e9 impressionante o n\u00famero de can\u00e7\u00f5es brilhantes que t\u00eam estes discos e a forma como as can\u00e7\u00f5es funcionam entre si, por isso, o escolho como meu 5\u00ba disco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>EM: Como v\u00e3o ser os concertos de celebra\u00e7\u00e3o dos 20 anos, no pr\u00f3ximo dia 14\/11, no Coliseu de Lisboa e 16\/11, no Coliseu do Porto? J\u00e1 agora, vai haver alguma comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos dos Silence 4?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>David Fonseca:<\/strong> Os concertos v\u00e3o ser exatamente o que se prop\u00f5e, uma celebra\u00e7\u00e3o destes 20 anos de can\u00e7\u00f5es. \u00c9 engra\u00e7ado porque questionam na pergunta se haver\u00e1 alguma comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos dos Silence 4, mas os 20 anos dos Silence 4 v\u00e3o estar presentes nesta celebra\u00e7\u00e3o sempre, porque s\u00e3o tamb\u00e9m parte deste meu percurso como compositor, letrista e como performer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Os Silence 4 fazem parte da minha j\u00e1 longa carreira. Estes v\u00e3o ser concertos de celebra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica que fui construindo ao longo destes anos, tamb\u00e9m ser\u00e3o uma celebra\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo em si pois ao longo dos anos a minha forma de estar em palco mudou imenso e todos estes espet\u00e1culos tornaram-se na minha forma preferida de estar com as pessoas e com a m\u00fasica que fa\u00e7o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Este espet\u00e1culo vai ter v\u00e1rias caracter\u00edsticas desde as coisas mais antigas, \u00e0quelas que s\u00e3o as mais novas de todas. Vai haver muito conte\u00fado nestes espet\u00e1culos, por isso, uma coisa \u00e9 certa, v\u00e3o ser festas, ou seja, a ideia do espet\u00e1culo \u00e9 fazer uma festa tal e qual como se fosse uma festa de anos, uma festa de anivers\u00e1rio e, com alguma sorte, at\u00e9 bolo ir\u00e1 haver. <strong>[NOTA DE AUTOR: <a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/review-david-fonseca-coliseu-de-lisboa-14-11-2018\/\">Review do concerto de David Fonseca em Lisboa<\/a>]<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Agradecimentos Especiais:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\">Obrigado David pelo talento e dedica\u00e7\u00e3o. Daqui a 20 anos fazemos a entrevista dos 40 anos de carreira!<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>Mariana Morado (Universal Music)<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif\"><strong>Fotos:<\/strong> David Fonseca<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Fonseca, que na semana passada, esteve no Coliseu de Lisboa (Review dispon\u00edvel AQUI) e no Coliseu do Porto na comemora\u00e7\u00e3o dos seus 20 anos de carreira, partilhou de forma pormenorizada com o Ecletismo Musical\u00a0a sua vis\u00e3o sobre a sua carreira, as transforma\u00e7\u00f5es que o mundo da m\u00fasica tem vindo a ter e as m\u00fasicas<\/p>","protected":false},"author":3,"featured_media":3649,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[50,52,340],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3617"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3617"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3681,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3617\/revisions\/3681"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}