{"id":7926,"date":"2025-10-28T17:51:48","date_gmt":"2025-10-28T17:51:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=7926"},"modified":"2025-10-28T17:52:10","modified_gmt":"2025-10-28T17:52:10","slug":"entrevista-noiserv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/entrevista-noiserv\/","title":{"rendered":"[Entrevista] Noiserv"},"content":{"rendered":"<h5>H\u00e1 artistas que n\u00e3o precisam de se reinventar para continuarem a ser novos, basta-lhes permanecer fi\u00e9is \u00e0quilo que sentem. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/noiserv\/\">Noiserv<\/a> \u00e9 um desses. Quinze anos depois da primeira conversa com o <em>Musical Eclecticism<\/em>, David Santos regressa para refletir sobre o tempo, a cria\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia de fazer m\u00fasica como quem constr\u00f3i abrigo. Nesta entrevista, fala-nos da inoc\u00eancia que resiste, do novo \u00e1lbum, da partilha que se aprende e da serenidade que o tempo ensina. <\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Ecletismo Musical(EM):<\/strong> <strong>Em 2010 dizias ao EM:\u00a0<em>\u201cO processo criativo \u00e9 como um ser humano, temos de aliment\u00e1-lo at\u00e9 morrer, porque s\u00f3 a\u00ed termina\u2026 Acho que a base de tudo \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o que as coisas nos possam dar.\u201d<\/em>\u00a0Quinze anos depois, que balan\u00e7o fazes desse percurso? O que \u00e9 que ainda te satisfaz da mesma forma e o que \u00e9 que se transformou nesse processo de alimentar a cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> Curiosamente, muita coisa muda quando envelhecemos mas a satisfa\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o e o prazer de aliment\u00e1-la at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o mant\u00e9m-se igual tantos anos depois. Julgo que estou ligeiramente mais \u00e1gil a chegar a certos resultados, mas tudo continua a demorar muito tempo, o tempo necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Entre o Noiserv que queria gravar o som do cora\u00e7\u00e3o e o que agora conta os dias (7305 deles), o que \u00e9 que o tempo te ensinou sobre o que vale a pena preservar: a inoc\u00eancia ou o controlo? Como chegaste a este novo \u00e1lbum?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv: <\/strong>O melhor seria conseguir descobrir sempre uma inoc\u00eancia controlada, mas nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Continuo fascinado em descobrir novos sons, neste disco usei muitos talheres (eheheh). Uma m\u00fasica nova \u00e9 sempre uma descoberta, n\u00e3o se sabe o ponto de chegada, e muito poucas vezes o ponto de partida&#8230; as coisas v\u00e3o acontecendo, os arranjos v\u00e3o-se sobrepondo at\u00e9 que nos apercebemos que a m\u00fasica est\u00e1 pronta. Um disco \u00e9 um conjunto de muitos momentos desses.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M6qwZutcat8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>EM: Nos teus primeiros trabalhos havia um certo romantismo na solid\u00e3o, a\u00a0<em>\u201corquestra de um s\u00f3 homem\u201d<\/em>. Agora parece haver uma reconcilia\u00e7\u00e3o com o estar acompanhado. Foi a vida que te levou a\u00ed, ou a m\u00fasica ensinou-te a partilhar o espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> A vida sempre me ensinou que \u00e9 na partilha que estamos mais pr\u00f3ximos da felicidade. Musicalmente, e passados vinte anos, tive uma vontade enorme de convidar amigos e pessoas que admiro a ajudarem-me nesta celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Em colabora\u00e7\u00f5es como com A Garota N\u00e3o h\u00e1 um di\u00e1logo entre vozes que pensam o mundo de forma parecida, mas expressam-se de modos diferentes. Como foi encontrar o equil\u00edbrio entre a tua forma mais introspectiva de comunicar e a palavra intensa da A Garota N\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> Esta m\u00fasica \u00e9 um di\u00e1logo entre dois amigos sobre aquilo que os atormenta. Quisemos mesmo refor\u00e7ar esta ideia de pergunta-resposta, e concluir que o mundo est\u00e1 a entrar num lugar muito complicado. E que a falta de empatia e o medo n\u00e3o podem ser o motor para uma sociedade evoluir.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3rVxYEqOkOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>EM: Em 2010 falava-se sobre a possibilidade de uma carreira internacional, tendo em conta o tipo de m\u00fasica que fazes. Hoje, olhando para tr\u00e1s, sentes que foi op\u00e7\u00e3o ou circunst\u00e2ncia? O que te parece que tem faltado ou o que \u00e9 que preferiste preservar ao ficares mais perto de casa (e come\u00e7aste a cantar igualmente em portugu\u00eas)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> Elevar a m\u00fasica a uma dimens\u00e3o internacional \u00e9 algo que tenho feito aos poucos, mas ser\u00e1 sempre um desejo. J\u00e1 existiram anos em que tive bastante presen\u00e7a no estrangeiro, mas \u00e9 muito dif\u00edcil, n\u00e3o existe uma rede montada nesse sentido, tirando o Fado, \u00e9 muito complicado exportar m\u00fasica portuguesa. No entanto, a idade tamb\u00e9m me d\u00e1 uma consci\u00eancia plena dessa dificuldade, embora eu tente sempre que mais pessoas possam conhecer a minha m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: H\u00e1 um equil\u00edbrio delicado entre tecnologia e emo\u00e7\u00e3o no teu trabalho. Como lidas hoje com o risco de a tecnologia, e da intelig\u00eancia artificial em particular, se tornar demasiado vis\u00edvel na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv: <\/strong>Na verdade n\u00e3o penso muito nisso. Sou fiel aos meus m\u00e9todos de composi\u00e7\u00e3o, e tento sempre acreditar que somos insubstitu\u00edveis ao n\u00edvel da emo\u00e7\u00e3o, porque quando assim n\u00e3o for, a vida acabou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9-V9sIt7ZKw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>EM: H\u00e1 quinze anos dizias ao\u00a0<em>Musical Eclecticism<\/em>\u00a0que o teu festival ideal seria algo como \u201cRadiohead | Sigur R\u00f3s | Explosions in the Sky | M\u00fam | Bj\u00f6rk | Grizzly Bear | Jeff Buckley | Arcade Fire | Elliot Smith | Sunset Rubdown | DeVotchKa | Beirut\u201d. Que nomes acrescentarias hoje a essa lista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> Boa pergunta. Tenho ouvido muita m\u00fasica nova e muito boa, mas na verdade, o festival ideal ainda seria esse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Se tivesses de identificar os cinco melhores \u00e1lbuns de sempre, ou pelo menos os que mais te influenciaram, quais seriam? E porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;OK Computer&#8221;, Radiohead<\/strong><\/p>\n\n\n\n<img width=\"200\" height=\"198\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/R-5326699-1390635857-9068.jpeg-3599316768-e1761670718599.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7930\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;The earth is not a cold dead place&#8221;, Explosions in the Sky<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/The-Earth-Is-Not-A-Cold-Dead-Place-EITS@1400x1400-1270183259-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7931\" width=\"207\" height=\"207\" \/><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;&#8230;&#8221;, Sigur R\u00f3s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<img width=\"200\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/NjM3NS5qcGVn-3166004184-e1761670927298.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7934\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Ten&#8221;, Pearl Jam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<img width=\"200\" height=\"186\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mrvinyliosrecords.gr-pearl-jam-ten-pearl-jam-tenunof-2603251609-e1761671696269.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7936\" \/>\n\n\n\n<p>&#8220;Grace&#8221;, Jeff Buckley<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/71qzCdJUwzL._SL1066_-3072245778-1024x1017.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7937\" width=\"199\" height=\"197\" \/><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As justifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais \u00f3bvias, sem este discos eu n\u00e3o gostaria tanto de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Que verso teu escolherias para deixar escrito numa parede de Lisboa, como s\u00edntese destes vinte anos de caminho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv:<\/strong> &#8220;Nesta casa o que n\u00e3o quebra n\u00e3o sai do lugar&#8221;, da m\u00fasica &#8220;20 . 16. A casa das rodas quadradas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t1OKUQvl8Ww?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>EM: Daqui a 15 anos, quando voltarmos a fazer uma Entrevista deste tipo, o que esperas j\u00e1 ter alcan\u00e7ado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Noiserv: <\/strong>Se continuar a fazer m\u00fasica com o mesmo gosto, julgo que terei al\u00e7ado mais do que alguma vez imaginei. E mais 3 discos pelo menos! \ud83d\ude42<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 artistas que n\u00e3o precisam de se reinventar para continuarem a ser novos, basta-lhes permanecer fi\u00e9is \u00e0quilo que sentem. Noiserv \u00e9 um desses. Quinze anos depois da primeira conversa com o Ecletismo Musical, David Santos regressa para refletir sobre o tempo, a cria\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia de fazer m\u00fasica como quem constr\u00f3i abrigo. Nesta entrevista,<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":7927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,25],"tags":[52,1382,340,807],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7926"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7926"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7926\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7941,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7926\/revisions\/7941"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}