{"id":8103,"date":"2025-11-14T10:00:48","date_gmt":"2025-11-14T10:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=8103"},"modified":"2025-11-14T10:01:07","modified_gmt":"2025-11-14T10:01:07","slug":"review-rosalia-lux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/review-rosalia-lux\/","title":{"rendered":"[Review] Rosal\u00eda &#8211; Lux"},"content":{"rendered":"<p>Passado o barulho do an\u00fancio e do lead single, o novo cap\u00edtulo de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rosalia.vt\/\">Rosal\u00eda<\/a> pede que o ou\u00e7amos com tempo e sem filtros: <strong>\u201cLux\u201d<\/strong> n\u00e3o entra por causa do trending (apesar de todo o histerismo), entra para colocar em perspetiva uma carreira que come\u00e7ou no Flamenco de raiz, passou pela reinven\u00e7\u00e3o radical do pop latino e agora escala um territ\u00f3rio lit\u00fargico-orquestral que lhe assenta como evolu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e que demonstra aquilo que os mais atentos j\u00e1 sabiam, <strong>Rosal\u00eda<\/strong> \u00e9 uma das mais ecl\u00e9ticas artistas do panorama mundial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CTlx3OcOyew?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A ideia de que <strong>Rosal\u00eda<\/strong> \u00e9 <em>\u201cs\u00f3 pop<\/em>\u201d cai por terra logo nos primeiros minutos: h\u00e1 uma gram\u00e1tica de sala, escrita de longa dura\u00e7\u00e3o e em m\u00faltiplas l\u00ednguas, vozes que respiram como coro e uma arquitetura dividida em movimentos que pede aten\u00e7\u00e3o inteira. O contr\u00e1rio da can\u00e7\u00e3o descart\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para perceber melhor isto, vale recuar. Antes de lights, TikTok e est\u00e1dios, houve estudo e palco pequeno: a colabora\u00e7\u00e3o com o seu ent\u00e3o namorado <strong>C. Tangana<\/strong> em &#8220;Antes de morirme&#8221;  (2016).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RxKVWs_qYBk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>O come\u00e7o em nome pr\u00f3prio em \u201cLos \u00c1ngeles\u201d, m\u00e3o na m\u00e3o com<em> <\/em><strong>Ra\u00fcl Refree<\/strong>, foi um statement de cantaora moderna a trabalhar repert\u00f3rio tradicional com rigor e risco. Disco que termina com um cover de \u00abI see a Darkness\u00bb, tema maior da obra de <strong>Will Oldham (Bonnie &#8216;Prince&#8217; Billy)<\/strong> e que uma Rosal\u00eda cheia de alma (mas ainda com not\u00f3rias limita\u00e7\u00f5es na pronuncia\u00e7\u00e3o) decidiu interpretar de forma magistral.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tof-hTxuhIY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Depois chegou a pop e a vis\u00e3o conceptual rara, entre flamenco com electr\u00f3nica e R&amp;B. Anos depois, <em>Motomami<\/em> reescreveu o dicion\u00e1rio do <em>mainstream<\/em> ao colar reggaeton, bachata, bolero e eletr\u00f3nica numa assinatura pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLux\u201d chega depois desse pico com um gesto diferente. O disco foi pensado com orquestra, coro e dire\u00e7\u00e3o musical que confia no sil\u00eancio, na tens\u00e3o e no timbre como mat\u00e9ria dram\u00e1tica. Em vez de empilhar featurings para fazer barulho, escolhe vozes que acrescentam mundo, da vanguarda ao Fado de Carminho, do Flamenco (Estrella Morente e S\u00edlvia Perez Cruz) \u00e0 pop de culto de Bj\u00f6rk e alinha tudo com uma escrita que cruza santos e profanas, em v\u00e1rias l\u00ednguas, sem ceder \u00e0 caricatura tur\u00edstica. <br><br> O choque aqui n\u00e3o \u00e9 de g\u00e9nero, \u00e9 de ambi\u00e7\u00e3o: transformar a linguagem da can\u00e7\u00e3o num orat\u00f3rio moderno que cabe na vida de 2025. Para quem insistir em ver Rosal\u00eda como \u201cartista pop\u201d, o disco \u00e9 talvez o argumento mais claro de que pop, no seu caso, sempre foi m\u00e9todo e n\u00e3o jaula ou m\u00e1quina para fazer dinheiro. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/3SUEJULSGgBDG1j4GQhfYY?si=1kJUzIf-Sru5cvVq1tschA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, a disciplina flamenca, a obsess\u00e3o pelo detalhe e a disposi\u00e7\u00e3o para reformular o pr\u00f3prio l\u00e9xico aparecem aqui destiladas numa obra que conversa com a m\u00fasica erudita sem pedir licen\u00e7a e sem pedir desculpa. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/htQBS2Ikz6c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>No fim, \u201cLux\u201d n\u00e3o apaga nada do que veio antes, acende o que faltava ver: uma artista que estudou, arriscou e reescreveu as suas pr\u00f3prias regras a cada projeto, a trabalhar agora num registo exigente que muitos evitariam por medo de perder terreno. Em vez disso, ganha escala e profundidade, provando que a sua hist\u00f3ria nunca foi a de seguir a corrente, mas a de mudar-lhe o curso. Passado o hype, fica o essencial: talento, m\u00e9todo e uma vis\u00e3o teimosa de que a can\u00e7\u00e3o ainda pode ser lugar de assombro ecl\u00e9tico.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passado o barulho do an\u00fancio e do lead single, o novo cap\u00edtulo de Rosal\u00eda pede que o ou\u00e7amos com tempo e sem filtros: \u201cLux\u201d n\u00e3o entra por causa do trending (apesar de todo o histerismo), entra para colocar em perspetiva uma carreira que come\u00e7ou no Flamenco de raiz, passou pela reinven\u00e7\u00e3o radical do pop latino<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":8104,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,529,28,30],"tags":[85,98,1416],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8103"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8103"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8106,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8103\/revisions\/8106"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}