{"id":8262,"date":"2025-12-02T19:38:22","date_gmt":"2025-12-02T19:38:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=8262"},"modified":"2025-12-02T19:38:33","modified_gmt":"2025-12-02T19:38:33","slug":"concert-review-annahstasia-hoxton-hall-london-versao-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/concert-review-annahstasia-hoxton-hall-london-versao-pt\/","title":{"rendered":"[Concert Review] Annahstasia @Hoxton Hall, London [Vers\u00e3o PT]"},"content":{"rendered":"<p>O concerto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/annahstasia\/\">Annahstasia<\/a> (autora de um dos, indiscut\u00edveis, melhores \u00e1lbuns do ano) no <strong>Hoxton Hall<\/strong>, em Londres, come\u00e7ou antes de qualquer instrumento soar. Bastou-lhe aparecer e deixar a voz surgir, para que a sala inteira se recolhesse num sil\u00eancio que raramente se encontra em Londres. <\/p>\n\n\n\n<p>A entrada \u00aba cappella\u00bb, para interpretar \u201cWe\u2019ve Come a Long Way Together\u201d, o tema de protesto de <strong>Bernice Johnson Reagon<\/strong> com a colabora\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s <strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/qaziandqazi\/\">Qazi &amp; Qazi<\/a><\/strong>, que encantaram a sala com as suas vozes e harmonias imposs\u00edveis, foi o mote para o que se iria seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hoxton Hall, teatro do s\u00e9culo XIX, com a sua ac\u00fastica quase artesanal, serviu de c\u00famplice para uma noite de profunda partilha. As madeiras antigas absorviam e devolviam o som com uma proximidade quase f\u00edsica, fazendo com que cada respira\u00e7\u00e3o tivesse peso. \u00c9 uma sala que obriga o p\u00fablico a estar presente, e Annahstasia, tal como o tinham feito as Qazi &amp; Qazi, aproveitaram essa aten\u00e7\u00e3o total desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>A setlist que Annahstasia tinha preparado revelou um percurso emocional pensado com cuidado. O concerto abriu com <strong>\u201cBe Kind\u201d<\/strong>, e logo a\u00ed ficou claro o cuidado emocional do alinhamento. Enquanto \u201c<strong>Take Care of Me\u201d<\/strong> mostrou a profundidade que tem ao vivo: n\u00e3o for\u00e7a a voz, n\u00e3o dramatiza, mas transmite tudo com uma honestidade que dispensa efeitos. Em <strong>\u201cSLOW\u201d<\/strong>, a intensidade tornou-se mais contida, como se fosse um di\u00e1logo interno que estava a ser testemunhado por todos os presentes que, quase religiosamente, guardavam sil\u00eancio perante o encantamento que viviam.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentou depois <strong>&#8220;Open Door&#8221;<\/strong>, ainda n\u00e3o editada, ao que se seguiram dois dos momentos mais altos da noite: <strong>&#8220;Satisfy me&#8221; e &#8220;Silk &amp; Velvet&#8221;<\/strong> numa sala totalmente rendida ao encanto de Annahstasia , e com a certeza de que estava ali testemunhar um momento que, muito provavelmente ser\u00e1 recordado daqui a uns anos, quando, as salas forem outras, de maior dimens\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<img width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_0397-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8271\" \/>\n\n\n\n<p>Em <strong>\u201cGarden\u201d<\/strong>, a leveza ganhou espa\u00e7o, uma can\u00e7\u00e3o que, ao vivo, se estende mais do que em grava\u00e7\u00e3o, como se estivesse a descobrir-se ali mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre m\u00fasicas, <strong>Annahstasia<\/strong> falou com uma franqueza pouco habitual. Falou do desgaste da estrada, da rela\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria arte e com o dinheiro, da sensa\u00e7\u00e3o de estar constantemente a atravessar expectativas: as suas e as dos outros. N\u00e3o foi conversa decorada, nem discurso para impressionar. Foi desabafo. E talvez por isso tenha aproximado tanta gente dela naquela noite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cSaturday\u201d<\/strong> trouxe uma energia mais terrena, mais ligada ao quotidiano, antes de o concerto entrar no seu final com <strong>&#8220;Sunday&#8221;<\/strong> and <strong>\u201cBeliever\u201d<\/strong> que funcionou como um ponto de chegada: uma can\u00e7\u00e3o que ao vivo parece maior do que no est\u00fadio, carregada de convic\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de fragilidade assumida.<\/p>\n\n\n\n<p>O que marcou verdadeiramente esta noite n\u00e3o foi o volume, nem o virtuosismo instrumental, nem qualquer tipo de produ\u00e7\u00e3o grandiosa. Foi a clareza. Uma artista que sabe o que quer transmitir e o faz sem ornamenta\u00e7\u00e3o. Uma sala que amplifica n\u00e3o o som, mas a inten\u00e7\u00e3o. E um p\u00fablico que percebeu a import\u00e2ncia de escutar.<\/p>\n\n\n\n<p>No Hoxton Hall, Annahstasia mostrou uma forma rara de presen\u00e7a: uma for\u00e7a tranquila, capaz de transformar uma sala inteira sem levantar a voz. N\u00e3o foi um concerto enorme: foi um concerto verdadeiro. E isso \u00e9 sempre maior.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo ano estar\u00e1 no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/primaverasound_porto\/\">Primavera Sound Porto<\/a> e, mesmo num ambiente menos \u00edntimo do que este, quem reconhecer o diamante que Annahstasia \u00e9 ter\u00e1 certamente uma experi\u00eancia para recordar.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O concerto de Annahstasia (autora de um dos, indiscut\u00edveis, melhores \u00e1lbuns do ano) no Hoxton Hall, em Londres, come\u00e7ou antes de qualquer instrumento soar. 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