{"id":8496,"date":"2025-12-30T11:07:46","date_gmt":"2025-12-30T11:07:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=8496"},"modified":"2025-12-30T11:09:42","modified_gmt":"2025-12-30T11:09:42","slug":"short-film-a-garota-nao-quem-nesta-aldeia-morar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/short-film-a-garota-nao-quem-nesta-aldeia-morar\/","title":{"rendered":"[Short Film] A Garota N\u00e3o &#8211; Quem Nesta Aldeia Morar"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/a_garota_nao\/\">A Garota N\u00e3o<\/a>, C\u00e1tia Mazari Oliveira, \u00e9 uma das vozes mais penetrantes da m\u00fasica portuguesa contempor\u00e2nea. Destacada ao longo do ano por diversas vezes pelo Ecletismo Musical [Review \u00e1lbum<a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/new-album-a-garota-nao-ferry-gold-2\/?swcfpc=1\"> aqui<\/a>], mant\u00e9m, apesar da maior exposi\u00e7\u00e3o que o seu trabalho e talento tiveram durante 2025, uma coer\u00eancia, um fulgor e uma milit\u00e2ncia raros nos dias que correm. Esta curta-metragem \u00e9 mais um bom exemplo dessa postura art\u00edstica consciente e intransigente.<\/p>\n<p>Num mundo dominado pelas views, pela urg\u00eancia do algoritmo e pelo consumo r\u00e1pido e descart\u00e1vel de singles, C\u00e1tia decidiu que o seu novo \u00e1lbum Ferry Gold n\u00e3o os iria ter. N\u00e3o por aus\u00eancia de can\u00e7\u00f5es que pudessem cumprir esse papel, mas porque a autora continua a ser quem decide como quer que a sua obra seja escutada, vista e, sobretudo, vivida. Aqui, a recusa do single enquanto produto isolado \u00e9 tamb\u00e9m uma recusa de fragmentar um discurso que s\u00f3 faz pleno sentido como corpo inteiro.<\/p>\n<p>Essa op\u00e7\u00e3o teve consequ\u00eancias formais claras: n\u00e3o houve lugar para o formato cl\u00e1ssico de videoclip, pensado para circular autonomamente e disputar aten\u00e7\u00e3o num feed infinito. Em vez disso, surge esta curta-metragem realizada por Pedro Est\u00eav\u00e3o Semedo, que n\u00e3o ilustra simplesmente can\u00e7\u00f5es, mas prolonga o universo do disco; que n\u00e3o serve a m\u00fasica, antes caminha com ela, no mesmo tempo lento, denso e politicamente carregado. \u00c9 cinema enquanto extens\u00e3o \u00e9tica da obra musical, n\u00e3o enquanto ferramenta promocional.<\/p>\n<p>H\u00e1 nesta decis\u00e3o uma afirma\u00e7\u00e3o de soberania art\u00edstica cada vez mais rara: a de quem aceita perder alcance imediato para ganhar espessura, de quem prefere construir mem\u00f3ria em vez de estat\u00edstica. Ferry Gold existe assim como um gesto inteiro, fechado sobre si, resistente \u00e0 l\u00f3gica do recorte e da distra\u00e7\u00e3o. E esta curta-metragem confirma que, para C\u00e1tia Mazari Oliveira, criar continua a ser um ato de responsabilidade. Consigo pr\u00f3pria, com as palavras que escolhe e com o mundo que insiste em interpelar.<\/p>\n<p>O projecto \u201cQuem nesta aldeia morar\u201d assume, assim, uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica que ultrapassa a simples promo\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum: \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da interdepend\u00eancia humana, da perten\u00e7a a lugares e a pessoas, e da forma como a arte pode surgir do encontro entre vozes distintas. A \u201caldeia\u201d mencionada no t\u00edtulo, tanto literal como metaforicamente, remete para a colectividade que molda vidas e cria mem\u00f3rias, especialmente numa sociedade onde a vida urbana muitas vezes dilui as rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias mais antigas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/znS5wsGvMTE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A Garota N\u00e3o, C\u00e1tia Mazari Oliveira, \u00e9 uma das vozes mais penetrantes da m\u00fasica portuguesa contempor\u00e2nea. 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