{"id":9160,"date":"2026-04-04T19:14:05","date_gmt":"2026-04-04T18:14:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=9160"},"modified":"2026-04-04T19:25:20","modified_gmt":"2026-04-04T18:25:20","slug":"album-review-ricardo-ribeiro-a-alma-so-esta-bem-onde-nao-cabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/album-review-ricardo-ribeiro-a-alma-so-esta-bem-onde-nao-cabe\/","title":{"rendered":"[Album Review] Ricardo Ribeiro &#8211; A Alma S\u00f3 Est\u00e1 Bem Onde N\u00e3o Cabe"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA Alma S\u00f3 Est\u00e1 Bem Onde N\u00e3o Cabe\u201d \u00e9 o mais recente \u00e1lbum de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ricardoribeiromusic\/\">Ricardo Ribeiro,<\/a> composto por 11 temas incluindo \u201cM\u00e1 Sorte\u201d, &#8220;Amanh\u00e3&#8221;, &#8220;51&#8221; ou \u201cMar\u00e9\u201d, este \u00faltimo com participa\u00e7\u00e3o de Ana Moura (e j\u00e1 destacado no EM).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EFcrQtBhBNk?list=PLGM1HpvEFTjJZwemP1p4FL4aet742kY5J\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Ricardo Ribeiro sempre foi um int\u00e9rprete que parece cantar como se estivesse a atravessar alguma coisa. Nunca foi apenas t\u00e9cnica, nem apenas tradi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 nele uma inquieta\u00e7\u00e3o constante, uma esp\u00e9cie de desassossego que n\u00e3o cabe dentro das formas mais fechadas do Fado. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gLTsL_6aTsQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>\u201cA Alma S\u00f3 Est\u00e1 Bem Onde N\u00e3o Cabe\u201d assume desde o in\u00edcio que a identidade \u00e9 fragmentada, que aquilo que sentimos raramente encontra forma suficiente para existir dentro de um g\u00e9nero, de uma linguagem ou at\u00e9 de um corpo. O pr\u00f3prio disco nasce dessa urg\u00eancia interior, de algo que precisava de sair sem necessariamente se explicar<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uJpooON1Z5o?list=PLGM1HpvEFTjJZwemP1p4FL4aet742kY5J\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Musicalmente, o Fado continua a ser o ponto de partida, est\u00e1 l\u00e1 na guitarra portuguesa, na respira\u00e7\u00e3o, na forma como a voz ocupa o espa\u00e7o, mas nunca por a\u00ed se esgota. H\u00e1 momentos onde a m\u00fasica se aproxima de outras geografias, outras tradi\u00e7\u00f5es, quase como se o Fado fosse apenas uma raiz a partir da qual tudo o resto se expande. N\u00e3o h\u00e1 aqui uma tentativa de modernizar o Fado de forma \u00f3bvia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/4TQPisy27Qt2eKzivTANPN?si=mkF0bviBRQypHbPSAbfHYQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Este disco vive muito da forma como se expande para fora de si. H\u00e1 temas inteiramente seus: \u201cAmanh\u00e3\u201d, \u201cMantra\u201d, \u201cMorena\u201d, onde a escrita funciona quase como extens\u00e3o direta da voz. Mas depois h\u00e1 outros pontos de tens\u00e3o: \u201c51\u201d, que abre o disco com assinatura de <strong>A Garota N\u00e3o<\/strong>, introduz logo uma linguagem mais contempor\u00e2nea; \u201cGolpe a Golpe\u201d cruza letra do pr\u00f3prio Ricardo com m\u00fasica de <strong>Am\u00e9lia Muge<\/strong>; \u201cOra\u00e7\u00e3o\u201d nasce da escrita de <strong>Teresa N\u00fancio<\/strong> com composi\u00e7\u00e3o de <strong>Manuel Oliveira<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zyXxMRyO_nQ?list=OLAK5uy_mwpUORaJstKQxOa2XdOyABXVbk_-z3nIs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>E \u00e9 aqui que o disco ganha outra dimens\u00e3o. Porque n\u00e3o estamos perante um \u00e1lbum fechado na identidade de um autor, mas sim perante um espa\u00e7o onde v\u00e1rias escritas coexistem: <strong>Manuel Alegre, Paulo C\u00e9sar Pinheiro, Manuel Alc\u00e2ntara<\/strong>, nomes que trazem consigo outras tradi\u00e7\u00f5es, outras hist\u00f3rias, outras formas de dizer o mesmo sentimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 maioritariamente nas m\u00e3os de <strong>Bernardo Saldanha e Manuel Oliveira<\/strong>, com exce\u00e7\u00f5es como \u201cM\u00e1 Sorte\u201d, \u201cMar\u00e9\u201d e \u201cAmanh\u00e3\u201d, produzidas por Agir e pelo pr\u00f3prio Ricardo Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00fasicos que acompanham o disco: <strong>\u00c2ngelo Freire<\/strong> na guitarra portuguesa, <strong>Manuel Oliveira<\/strong> no piano, <strong>Rodrigo Correia<\/strong> no contrabaixo, <strong>Alexandre Fraz\u00e3o <\/strong>na bateria n\u00e3o est\u00e3o ali para ornamentar. Est\u00e3o para sustentar com a mestria de sempre, permitindo que as interpreta\u00e7\u00f5es de Ricardo Ribeiro e as palavras percorram compassadamente o seu caminho permitindo-lhes terem o seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um trabalho para ser ouvido com o tempo que merece.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Alma S\u00f3 Est\u00e1 Bem Onde N\u00e3o Cabe\u201d \u00e9 o mais recente \u00e1lbum de Ricardo Ribeiro, composto por 11 temas incluindo \u201cM\u00e1 Sorte\u201d, &#8220;Amanh\u00e3&#8221;, &#8220;51&#8221; ou \u201cMar\u00e9\u201d, este \u00faltimo com participa\u00e7\u00e3o de Ana Moura (e j\u00e1 destacado no EM). 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