{"id":9648,"date":"2026-06-12T09:05:00","date_gmt":"2026-06-12T08:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=9648"},"modified":"2026-06-12T09:04:43","modified_gmt":"2026-06-12T08:04:43","slug":"worth-listening-to-gordi-forget-about-dying-live","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/worth-listening-to-gordi-forget-about-dying-live\/","title":{"rendered":"[Worth Listening to] Gordi &#8211; Forget About Dying (Live)"},"content":{"rendered":"<p>Existem can\u00e7\u00f5es que tentam explicar a morte. \u201cForget About Dying\u201d, de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gordimusic\/\">Gordi<\/a> (que o EM j<a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/worth-listening-to-gordi-volcanic\/?swcfpc=1\">\u00e1 tinha destacado<\/a> em 2020) faz algo muito mais dif\u00edcil: tenta recordar-nos da vida. A australiana Sophie Payten ocupa um lugar raro na m\u00fasica contempor\u00e2nea. Enquanto constru\u00eda uma carreira como compositora e int\u00e9rprete, trabalhava simultaneamente como m\u00e9dica. Durante a pandemia regressou aos hospitais, confrontando-se diariamente com a doen\u00e7a e a perda. <\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cForget About Dying\u201d, n\u00e3o encontramos uma reflex\u00e3o sobre o fim. Encontramos uma reflex\u00e3o sobre o tempo. Ao longo da vida, somos educados para viver como se tudo estivesse \u00e0 nossa espera, adiamos conversas importantes, adiamos viagens, adiamos mudan\u00e7as, adiamos sonhos. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nplt_hV2btM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Convencemo-nos de que haver\u00e1 sempre uma ocasi\u00e3o mais adequada, um momento mais conveniente, uma vers\u00e3o futura de n\u00f3s pr\u00f3prios capaz de fazer aquilo que a vers\u00e3o presente continua a evitar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a vida possui uma caracter\u00edstica profundamente desconfort\u00e1vel. N\u00e3o nos informa sobre quanto tempo resta. Talvez seja essa a verdade silenciosa que atravessa toda a can\u00e7\u00e3o. N\u00e3o a inevitabilidade da morte, mas a imprevisibilidade da vida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/3AAoNXTUzdYYLJxUYNwu0z?si=4a30719fc33d4ecb&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Existe ainda uma outra armadilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos anos a acreditar que estamos apenas a ser prudentes. Que estamos a proteger aqueles que amamos. Que estamos a esperar pelo momento certo, pela certeza necess\u00e1ria, pela circunst\u00e2ncia ideal. Convencemo-nos de que adiar uma decis\u00e3o \u00e9 diferente de a tomar.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por vezes, s\u00f3 depois percebemos que aquilo que cham\u00e1vamos cautela continha tamb\u00e9m uma parte de medo. Que aquilo que julg\u00e1vamos ser responsabilidade escondia a dificuldade de aceitar as consequ\u00eancias daquilo que j\u00e1 sab\u00edamos. Que algumas das oportunidades mais importantes das nossas vidas n\u00e3o s\u00e3o colocadas em risco pela aus\u00eancia de amor, mas pela dificuldade de decidir o que fazer com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por vezes, s\u00f3 depois compreendemos que a clareza que procur\u00e1vamos numa decis\u00e3o n\u00e3o surgiu depois de comunicar que a tom\u00e1mos. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 essa pr\u00f3pria decis\u00e3o que nos obriga a questionar aquilo que julg\u00e1vamos saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez algumas das decis\u00f5es mais importantes das nossas vidas n\u00e3o sejam aquelas que nos trazem respostas, mas aquelas que nos obrigam a revisitar perguntas que acredit\u00e1vamos j\u00e1 ter resolvido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/4TkA7UJ5ZqCnsNRg83Q3SD?si=NH4d6Ny4RZuhUSp4YrxM4g&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Existe uma diferen\u00e7a subtil entre consci\u00eancia e medo. Grande parte da nossa ansiedade nasce precisamente dessa tentativa imposs\u00edvel de controlar aquilo que n\u00e3o pode ser controlado. Queremos garantias, queremos saber que aqueles que amamos estar\u00e3o presentes amanh\u00e3. Queremos acreditar que ainda teremos tempo para dizer aquilo que ficou por dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nenhuma dessas promessas nos \u00e9 dada e talvez essa verdade seja simples. Passamos demasiado tempo a preparar-nos para viver, a organizar o futuro e \u00e0 espera da circunst\u00e2ncia perfeita. Entretanto, os dias continuam a acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta parece ser uma can\u00e7\u00e3o sobre presen\u00e7a. Sobre a coragem de abandonar, ainda que por momentos, a necessidade de controlar o futuro. Sobre a capacidade de regressar ao presente e reconhecer a extraordin\u00e1ria improbabilidade de tudo aquilo que j\u00e1 existe, com a incerteza no que n\u00e3o se viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque talvez a quest\u00e3o mais importante nunca tenha sido quanto tempo temos. Talvez seja o que fazemos com o tempo que nos foi dado.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem can\u00e7\u00f5es que tentam explicar a morte. \u201cForget About Dying\u201d, de Gordi (que o EM j\u00e1 tinha destacado em 2020) faz algo muito mais dif\u00edcil: tenta recordar-nos da vida. A australiana Sophie Payten ocupa um lugar raro na m\u00fasica contempor\u00e2nea. Enquanto constru\u00eda uma carreira como compositora e int\u00e9rprete, trabalhava simultaneamente como m\u00e9dica. 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