{"id":9749,"date":"2026-06-21T11:36:17","date_gmt":"2026-06-21T10:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=9749"},"modified":"2026-06-21T11:36:28","modified_gmt":"2026-06-21T10:36:28","slug":"entrevista-cristina-branco-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/entrevista-cristina-branco-2\/","title":{"rendered":"[Entrevista] Cristina Branco"},"content":{"rendered":"<h5>Ao longo de mais de duas d\u00e9cadas de carreira, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cristinabrancomusica\/\">Cristina Branco<\/a> construiu uma das trajet\u00f3rias mais singulares da m\u00fasica portuguesa. Partindo do fado, mas recusando sempre permanecer limitada pelas suas fronteiras mais previs\u00edveis, foi criando uma obra onde convivem tradi\u00e7\u00e3o, literatura, can\u00e7\u00e3o de autor e uma permanente curiosidade art\u00edstica. <\/h5>\n\n\n\n<h5>Desde a nossa \u00faltima conversa, passaram v\u00e1rios anos e v\u00e1rios discos. Alguns aprofundaram territ\u00f3rios j\u00e1 familiares, outros abriram novas possibilidades criativas, culminando mais recentemente em projetos como <em>M\u00e3e<\/em> and <em>Mulheres de Abril<\/em>, trabalhos que dialogam simultaneamente com a mem\u00f3ria, a identidade e o presente.<\/h5>\n\n\n\n<h5>Nesta entrevista para o <strong>Musical Eclecticism<\/strong>, regressamos a temas que j\u00e1 tinham marcado o nosso encontro anterior: a d\u00favida, a rela\u00e7\u00e3o com os textos, a transforma\u00e7\u00e3o constante das can\u00e7\u00f5es e a forma como a m\u00fasica comunica para l\u00e1 das palavras. <\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Ecletismo Musical (EM): Desde a nossa \u00faltima entrevista, passaram v\u00e1rios anos e projetos, incluindo discos muito distintos entre si. O que \u00e9 que sentes que se tornou mais claro no teu caminho e o que ficou mais em d\u00favida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>D\u00favidas existem sempre, mas voltaria a fazer tudo. Acredito que a d\u00favida faz parte do crescimento e isso sim, cresci bastante. Vocalmente e tamb\u00e9m na interpreta\u00e7\u00e3o e que \u00e9 essa \u00faltima que me distingue, que me faz ser a cantora que sou. A evolu\u00e7\u00e3o vocal tem a ver com essa procura e encontrar ferramentas que possam ajudar a criar o tal mundo por onde a voz tem que passar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Depois de tudo o que j\u00e1 fizeste, ainda est\u00e1s \u00e0 procura de alguma coisa ou hoje trata-se mais de aceitar o que j\u00e1 encontraste?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>Estarei sempre \u00e0 procura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Na nossa \u00faltima conversa fal\u00e1vamos tamb\u00e9m da tua rela\u00e7\u00e3o com as palavras e da forma como te colocas dentro de um texto que n\u00e3o \u00e9 teu. Hoje, com mais dist\u00e2ncia, sentes que te aproximaste mais da ideia de habitar essas palavras ou de as transformar para que possam caber em ti? Onde \u00e9 que termina o autor e come\u00e7as tu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco:<\/strong> No momento em que o texto chega at\u00e9 mim, passa a ser tamb\u00e9m meu e sim, entro e fa\u00e7o dele a minha hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uk5wjtEKMjE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>EM: Quando regressas a uma can\u00e7\u00e3o que cantas h\u00e1 muitos anos, est\u00e1s a reencontrar algo fixo ou a confrontar uma vers\u00e3o antiga de ti mesma que j\u00e1 n\u00e3o existe? E como \u00e9 que te continuas a reinventar dentro dessa repeti\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco:<\/strong> Nem uma coisa nem outra, \u00e9 sempre novo, h\u00e1 sempre algo a descobrir porque todos os dias s\u00e3o diferentes e a predisposi\u00e7\u00e3o traz esse \u201cfuturo\u201d \u00e0s coisas, \u00e9 a parte divertida das coisas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: H\u00e1 uma linha muito clara no teu percurso entre conten\u00e7\u00e3o e intensidade. Entre aquilo que escolhes mostrar e aquilo que mant\u00e9ns fora da can\u00e7\u00e3o. Essa fronteira ainda \u00e9 uma escolha consciente ou j\u00e1 se tornou uma forma de te protegeres daquilo que a m\u00fasica poderia expor?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>Na m\u00fasica tudo \u00e9 carne viva, n\u00e3o daria para omitir nada. Sou eu e os textos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cVCLuD9U6SQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>EM: Grande parte do teu percurso foi constru\u00edda perante p\u00fablicos que n\u00e3o entendem a l\u00edngua. Nesses momentos, o que sentes que est\u00e1 realmente a ser comunicado: o significado das palavras ou algo anterior a elas, mais f\u00edsico, mais universal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>Neste momento acho pertinente envolver a hist\u00f3ria que levo ao palco, os textos, na minha hist\u00f3ria e tornar tudo isso num discurso eminentemente social e comprometido com os valores que eu defendo. Do multiculturalismo ao feminismo, dos valores democr\u00e1ticos \u00e0 xenofobia. Afinal canto a vida e posso conduzir o meu discurso e dizer o que penso porque realisticamente tudo se encaixa. Sempre tive uma linha condutora naquilo que canto e n\u00e3o \u00e9 descabido enquadrar textos cantados e um discurso ativamente empenhado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Disseste que\u00a0<em>Menina<\/em>,\u00a0<em>Branco<\/em>\u00a0and\u00a0<em>Eva<\/em>\u00a0formam uma trilogia fora do fado, um espa\u00e7o de expans\u00e3o que culmina depois em <em>M\u00e3e<\/em>, um regresso ao fado tradicional . Esse regresso \u00e9 um retorno consciente ou uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel desse afastamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>\u00c9 um retorno natural por ser o meu territ\u00f3rio mais visceral. O processo criativo e tamb\u00e9m de descoberta, saltar fora da caixa (como as pessoas gostam de dizer) foi e ser\u00e1 sempre uma necessidade. Aprende-se muito a olhar de fora para dentro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/buSlSwpCEiA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>EM: Em\u00a0<em>Mulheres de Abril<\/em>, regressas ao universo de Jos\u00e9 Afonso, mas a partir de um foco muito espec\u00edfico: as mulheres das suas can\u00e7\u00f5es, muitas vezes envoltas em sil\u00eancio. Quando decides cant\u00e1-las, est\u00e1s a dar-lhes voz ou a revelar o sil\u00eancio que sempre esteve l\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>Estou a dar a minha voz a mulheres que estavam perdidas dentro do universo do Zeca. Ele enumerou-as e eu aponto o dedo, porque elas ainda existem.\u00a0 Volvidos 50 anos, nada mudou, eventualmente mudamos n\u00f3s, mulheres. Perdemos o medo e ganhamos a liberdade (amea\u00e7ada novamente) de nos exprimirmos e contestarmos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Em 2018, referiste que no teu Festival ideal colocavas:&#8221;Marisa Monte, Jacques Brel, Gregory Porter,\u00a0 Nick Cave, Sting, Chico Buarque\u2026e este festival durava um ano inteiro se continuasse a enumerar nomes!&#8221; No entretanto, em 2026, acrescentavas algum nome que tenhas descoberto entretanto e que tenha surpreendido verdadeiramente?\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco: <\/strong>Raye, Rosal\u00eda, Silvia P\u00e9rez Cruz\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EM: Depois\u00a0destes \u00faltimos trabalhos, que parecem fechar v\u00e1rios ciclos ao mesmo tempo, sentes que est\u00e1s num ponto de recome\u00e7o? H\u00e1 algo que j\u00e1 esteja a nascer, mesmo que ainda sem forma definida, e que possas deixar entrever?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Branco:<\/strong> Quando mergulhas t\u00e3o fundo dentro de ti, quando a procura do teu mister, da arte \u00e9 pensada e questionada, as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o imensas. Diria que s\u00f3 na impossibilidade de continuar a executar aquilo que me apaixona \u00e9 que cessarei de procurar, ou ent\u00e3o n\u00e3o, procurarei outros canais via o outro ou outro objeto de reflex\u00e3o que n\u00e3o a voz.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo de mais de duas d\u00e9cadas de carreira, Cristina Branco construiu uma das trajet\u00f3rias mais singulares da m\u00fasica portuguesa. 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