{"id":9981,"date":"2026-08-28T10:47:13","date_gmt":"2026-08-28T09:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=9981"},"modified":"2026-08-28T10:47:18","modified_gmt":"2026-08-28T09:47:18","slug":"new-album-turstile-never-enough-versions","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/new-album-turstile-never-enough-versions\/","title":{"rendered":"[New Album] TURSTILE &#8211; NEVER ENOUGH: VERSIONS"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 bandas que mudam de g\u00e9nero musical. E h\u00e1 bandas que parecem ter deixado de acreditar que os g\u00e9neros servem para alguma coisa. Os Turnstile pertencem cada vez mais ao segundo grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de <em>NEVER ENOUGH<\/em>, o \u00e1lbum de 2025 que confirmou definitivamente que aquilo que come\u00e7ou no hardcore de Baltimore j\u00e1 n\u00e3o cabia dentro das fronteiras do hardcore, os Turnstile regressam agora ao mesmo disco para fazer algo talvez ainda mais revelador: entreg\u00e1-lo a outros. <em>NEVER ENOUGH: VERSIONS<\/em> n\u00e3o funciona propriamente como uma simples colec\u00e7\u00e3o de remisturas, nem como um tradicional \u00e1lbum de vers\u00f5es. \u00c9 antes uma esp\u00e9cie de universo paralelo onde as mesmas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o desmontadas e reconstru\u00eddas por m\u00fasicos que, \u00e0 partida, dificilmente encontrar\u00edamos todos dentro do mesmo disco.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zEzXHanMajg?list=OLAK5uy_ntafLFGdJOTcY-ZGQvOzhA2CHU7ly5ELg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>E talvez seja precisamente essa a melhor defini\u00e7\u00e3o dos Turnstile actuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque poucas bandas poderiam colocar <strong>Dying Fetus, Elton John, Four Tet, Hayley Williams, Blood Orange, Slayyyter, Panda Bear, Alex G, Oklou ou Julien Baker<\/strong> no mesmo projecto sem que a lista parecesse uma provoca\u00e7\u00e3o ou um exerc\u00edcio de marketing. Aqui, estranhamente, faz sentido. N\u00e3o porque estes artistas tenham muito em comum entre si, mas porque todos parecem encontrar alguma coisa diferente dentro da m\u00fasica dos Turnstile.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso que torna <em>NEVER ENOUGH: VERSIONS<\/em> particularmente interessante. N\u00e3o estamos apenas a ouvir novas roupagens para can\u00e7\u00f5es conhecidas. Estamos a perceber at\u00e9 onde essas can\u00e7\u00f5es conseguem viajar sem perder completamente a sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBIRDS\u201d talvez seja o exemplo mais radical. Slayyyter empurra-a para um territ\u00f3rio electr\u00f3nico, distorcido e quase hipn\u00f3tico; os Dying Fetus fazem exactamente o contr\u00e1rio e devolvem-lhe viol\u00eancia comprimindo a can\u00e7\u00e3o numa descarga de death metal com menos de dois minutos. A mesma composi\u00e7\u00e3o torna-se duas coisas praticamente incompat\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Four Tet pega em \u201cLOOK OUT FOR ME\u201d e transforma a urg\u00eancia dos Turnstile numa viagem electr\u00f3nica de seis minutos, Oklou dissolve \u201cLIGHT DESIGN\u201d numa atmosfera quase l\u00edquida e Blood Orange encontra outra possibilidade para a mesma m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/1KR1VedU3v1ZeVz0S1HPDL?si=5pxhspjiRIazWHwUxGE5rQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Depois h\u00e1 encontros que parecem existir precisamente porque ningu\u00e9m os teria previsto. Elton John surge em \u201cSEEIN\u2019 STARS\u201d. Hayley Williams entra em \u201cCEILING\u201d. Panda Bear reimagina \u201cMAGIC MAN\u201d, enquanto Alex G apresenta outra leitura da mesma can\u00e7\u00e3o. Shabaka entra em \u201cSLOWDIVE\u201d. Mustafa e Julien Baker encontram-se em \u201cTIME IS HAPPENING\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos discutiu-se se os Turnstile ainda eram hardcore, se tinham ficado demasiado grandes, demasiado mel\u00f3dicos, demasiado acess\u00edveis ou demasiado pr\u00f3ximos do mainstream. A resposta da banda parece ser deixar de responder. Em vez de escolher um lado, convidaram todos para dentro da mesma sala.<\/p>\n\n\n\n<p>E o resultado \u00e9 deliciosamente contradit\u00f3rio. Death metal pode viver ao lado de electr\u00f3nica. Hardcore pode encontrar jazz. Elton John pode aparecer algumas faixas antes de Dying Fetus.  <em>NEVER ENOUGH: VERSIONS<\/em> acaba assim por funcionar menos como extens\u00e3o de um \u00e1lbum e mais como demonstra\u00e7\u00e3o de uma ideia que os Turnstile perseguem h\u00e1 v\u00e1rios anos: a m\u00fasica torna-se muito mais interessante quando deixamos de lhe perguntar onde pertence. Deixar fluir o Ecletismo sonoro ser\u00e1 sempre uma mais valia e algo que tornar\u00e1 inevitavelmente quem o permite em alguem mais rico.<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo, os Turnstile estar\u00e3o no Meo Kalorama, em Lisboa e o mosh pit ser\u00e1 gigante e cheio de esperan\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel viver momentos de catarse coletiva.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 bandas que mudam de g\u00e9nero musical. E h\u00e1 bandas que parecem ter deixado de acreditar que os g\u00e9neros servem para alguma coisa. Os Turnstile pertencem cada vez mais ao segundo grupo. 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