{"id":9984,"date":"2026-09-03T09:12:00","date_gmt":"2026-09-03T08:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/?p=9984"},"modified":"2026-09-03T09:11:33","modified_gmt":"2026-09-03T08:11:33","slug":"all-together-live-tara-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/all-together-live-tara-perdida\/","title":{"rendered":"[All Together Live] Tara Perdida"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Ecletismo Musical olha para o All Together Live. Em 2025, quando Tim <a href=\"https:\/\/www.ecletismomusical.pt\/en\/all-together-live-tim\/\">assumiu <\/a>o centro de uma das suas edi\u00e7\u00f5es para revisitar tr\u00eas cl\u00e1ssicos dos Xutos &amp; Pontap\u00e9s, destac\u00e1vamos precisamente a capacidade do projeto para retirar estas m\u00fasicas do lugar habitual do concerto e devolv\u00ea-las atrav\u00e9s de centenas de instrumentos e pessoas de idades e percursos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2026 do All Together Live levou cerca de 300 m\u00fasicos aos Jardins do Pal\u00e1cio Marqu\u00eas de Pombal, em Oeiras, para tocar com os Tara Perdida, num encontro entre m\u00fasicos profissionais, amadores e alunos de diferentes gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zYOoy3Hi5W8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Desde 1995, os Tara Perdida constru\u00edram uma identidade muito pr\u00f3pria. Havia em Jo\u00e3o Ribas uma forma particular de transformar vulnerabilidade em confronto e, depois da sua morte, em 2014, seria f\u00e1cil imaginar que a hist\u00f3ria da banda ficaria inevitavelmente presa \u00e0 nostalgia, \u00e0 mem\u00f3ria de uma determinada gera\u00e7\u00e3o ou \u00e0 compara\u00e7\u00e3o constante entre aquilo que existiu e aquilo que veio depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as m\u00fasicas continuaram. Continuaram nos concertos, no moche que ainda re\u00fane diferentes gera\u00e7\u00f5es e em quem as foi descobrindo muito depois de terem sido escritas. E talvez seja precisamente isso que estas imagens conseguem tornar particularmente evidente: h\u00e1 m\u00fasicos naquele enorme conjunto que pertencem \u00e0 gera\u00e7\u00e3o dos Tara Perdida e outros que chegaram \u00e0s suas can\u00e7\u00f5es quando Jo\u00e3o Ribas j\u00e1 fazia parte da mem\u00f3ria do punk portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O All Together Live funciona aqui quase como uma fotografia dessa passagem, sendo que \u00e9 muito interessante perceber porque continuam estas m\u00fasicas a justificar que algu\u00e9m pegue numa guitarra, num baixo ou num par de baquetas para as voltar a tocar trinta anos depois.<\/p>\n\n\n\n<p>E existe qualquer coisa profundamente punk nessa resposta. N\u00e3o o punk enquanto g\u00e9nero encerrado numa determinada est\u00e9tica, mas naquele princ\u00edpio elementar que esteve sempre na sua origem: pega num instrumento e toca.<\/p>\n\n\n\n<p>O punk nunca precisou verdadeiramente da perfei\u00e7\u00e3o para existir. H\u00e1 ainda uma curiosa pertin\u00eancia em assistir a estas imagens em 2026, num momento em que a m\u00fasica discute cada vez mais aquilo que pode ser produzido artificialmente, o All Together Live coloca diante de n\u00f3s precisamente o oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3prios Tara Perdida resumiram recentemente a sua posi\u00e7\u00e3o sobre intelig\u00eancia artificial e cria\u00e7\u00e3o musical numa frase suficientemente direta: a IA \u201cn\u00e3o vai conseguir dar a volta ao Rock\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez porque aquilo que mant\u00e9m o rock vivo nunca tenha sido apenas o som. \u00c9 tamb\u00e9m aquilo que aconteceu antes de uma m\u00fasica existir e tudo aquilo que lhe acontece depois. E, enquanto algu\u00e9m continuar a querer toc\u00e1-las, a hist\u00f3ria ainda n\u00e3o terminou.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Ecletismo Musical olha para o All Together Live. 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