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		<title>[Live Set] BUNT. at COACHELLA 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 20:30:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Passamos anos a construir objetivos, carreiras, relações, projetos e sonhos. Aprendemos a medir o nosso valor através daquilo que produzimos, conquistamos ou alcançamos. E, sem nos apercebermos, acabamos muitas vezes por transformar a própria vida numa sucessão de metas. Como se a felicidade estivesse sempre alguns passos à frente, escondida atrás da próxima conquista. É]]></description>
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<p>Passamos anos a construir objetivos, carreiras, relações, projetos e sonhos. Aprendemos a medir o nosso valor através daquilo que produzimos, conquistamos ou alcançamos. E, sem nos apercebermos, acabamos muitas vezes por transformar a própria vida numa sucessão de metas. Como se a felicidade estivesse sempre alguns passos à frente, escondida atrás da próxima conquista.</p>



<p>É impossível não pensar nisso ao ver o set de <a href="https://www.instagram.com/buntmusic/">BUNT.</a> no <a href="https://www.instagram.com/coachella/">Coachella</a>.</p>



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<p>Nos últimos anos, o produtor alemão, num género muitas vezes discutível sobre o conceito do que é fazer música, tornou-se uma das histórias mais improváveis da música eletrónica. Longe dos circuitos tradicionais da indústria, construiu uma comunidade global através das redes sociais, de atuações espontâneas e de uma abordagem profundamente humana à música de dança. Em vez de se apresentar como uma estrela distante, BUNT. parece apresentar-se como alguém que continua genuinamente surpreendido por estar ali. E talvez seja precisamente essa autenticidade que explica a ligação tão forte que conseguiu criar com milhares de pessoas em todo o mundo.</p>



<p>O seu concerto no Coachella não foi apenas uma celebração do percurso que o trouxe até um dos festivais mais importantes do planeta. E talvez seja exatamente por isso que alguns momentos se tornam tão especiais. Porque a capacidade de, durante alguns minutos, deixarmos de pensar no passado e no futuro, deixarmos de carregar o peso invisível das responsabilidades, das expectativas e das preocupações que normalmente transportamos, é, provavelmente, a maior que se pode ter.</p>



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<p>Ao ver milhares de pessoas a dançar durante o set de BUNT., parecia existir, durante aquele set, uma espécie de acordo silencioso entre todos os que ali estavam. Durante aquele tempo, não importavam os emails por responder, as atividades por realizar, os problemas por resolver, as decisões difíceis ou as dúvidas sobre o futuro. Existia apenas o momento, a experiência partilhada, a catarse coletiva de simplesmente aproveitar o privilégio e, viver.</p>



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<p>Talvez seja essa uma das funções mais importantes da arte. Não escapar à realidade. Mas recordar-nos que a realidade também é feita destes instantes. De momentos que não mudam o mundo, mas mudam a forma como habitamos o nosso próprio mundo.</p>
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		<title>[Playlist] Ecletismo Semanal #56</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 07:59:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Playlist Ecletismo Semanal]]></category>
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		<category><![CDATA[Playlist ecletismo semanal]]></category>
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					<description><![CDATA[Ecletismo Semanal é a Playlist do EM, com músicas cuidadosamente escolhidas entre a nova cena indie, dream pop, alternativa, folk e outras sonoridades que fogem do óbvio. A curadoria é feita com atenção, não por algoritmos. Queremos que cada edição permita dar a conhecer, de forma desconstruída, o universo musical do Ecletismo Musical com abertura,]]></description>
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<p><strong>Ecletismo Semanal</strong> é a Playlist do EM, com<strong> músicas </strong>cuidadosamente escolhidas entre a nova cena indie, dream pop, alternativa, folk e outras sonoridades que fogem do óbvio.</p>



<p>A curadoria é feita com atenção, não por algoritmos. Queremos que cada edição permita dar a conhecer, de forma desconstruída, o universo musical do <strong>Ecletismo Musical</strong> com abertura, liberdade e sem fórmulas fixas.</p>


<p><iframe style="border-radius:12px" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1S5wQVVKffQYXFc74EnMIH?utm_source=generator&amp;si=337dd598c85d4e68" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen=""></iframe></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>[Album Review] The Veils &#8211; Fragile World</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 21:01:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo de mais de vinte anos de carreira, os The Veils, liderados por Finn Andrews, têm atravessado diferentes fases criativas, desde o dramatismo sombrio dos primeiros discos até à introspeção quase espiritual dos trabalhos mais recentes. Depois de Asphodels, lançado em 2025, surge agora Fragile World, o oitavo álbum da banda. O novo trabalho]]></description>
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<p>Ao longo de mais de vinte anos de carreira, os<a href="https://www.instagram.com/the_veils/"> The Veils</a>, liderados por Finn Andrews, têm atravessado diferentes fases criativas, desde o dramatismo sombrio dos primeiros discos até à introspeção quase espiritual dos trabalhos mais recentes. Depois de <em>Asphodels</em>, lançado em 2025, surge agora <em>Fragile World</em>, o oitavo álbum da banda. </p>



<p>O novo trabalho marca também uma mudança de energia. Se o disco anterior parecia observar o mundo a partir do silêncio e da contemplação, <em>Fragile World</em> procura voltar a encontrar movimento no meio da incerteza.</p>



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</div>



<p>O próprio título funciona como uma declaração de intenções. Por um lado, reflete um tempo em que muitas das estruturas que tomávamos como garantidas parecem cada vez mais frágeis. Por outro, descreve o próprio ato de criar: um processo construído a partir de milhares de pequenas decisões que, lentamente, acabam por formar um todo. Finn Andrews escreveu estas canções num período particularmente reflexivo da sua vida, recuperando memórias, questionando certezas e procurando compreender o lugar que ocupamos num mundo em constante transformação.</p>



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<p>Ao longo do álbum encontramos personagens que tentam encontrar equilíbrio entre aquilo que perderam e aquilo que ainda esperam encontrar. “Aurora” abre o disco com uma delicadeza quase hipnótica, enquanto “High Hopes” e “Lungs” exploram o desgaste provocado pelo ritmo acelerado da vida contemporânea. Em “Are You Awake Tonight?” surge uma das perguntas mais emocionais do álbum, uma reflexão sobre ligações que persistem apesar da distância, do tempo e das oportunidades perdidas.</p>



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<p>Ao longo do disco, Finn Andrews parece menos interessado em encontrar respostas definitivas do que em compreender como continuamos a avançar apesar das incertezas. As canções habitam esse espaço intermédio entre memória e possibilidade, entre aquilo que aprendemos pelo caminho e aquilo que ainda permanece ao nosso alcance. No final, o álbum sugere que talvez a maturidade não esteja em eliminar a dúvida, mas em aprender a caminhar com ela.</p>



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<p>Num tempo em que grande parte da música parece obcecada com respostas rápidas e emoções instantâneas, <em>Fragile World</em> recorda-nos que algumas das experiências mais importantes da vida acontecem precisamente no território da incerteza. Porque crescer nem sempre significa dissipar as dúvidas, por vezes significa apenas usar a coragem para crescer internamente, avançar e confiar que o caminho se revelará à medida que avançamos.</p>
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		<title>[Worth Listening to] Sera Cahoone  &#8211; Pulling Up Roots</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 17:06:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Sera Cahoone sempre se moveu entre o folk, a country alternativa e o indie rock, com canções onde a vulnerabilidade surge sem dramatismo e a esperança aparece sem ingenuidade. “Pulling Up Roots”, novo avanço do álbum I&#8217;ve Missed You All These Years, talvez seja um dos exemplos mais claros dessa capacidade. “pulling up roots” ,]]></description>
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<p><a href="https://www.instagram.com/seracahoone/">Sera Cahoone</a> sempre se moveu entre o folk, a country alternativa e o indie rock, com canções onde a vulnerabilidade surge sem dramatismo e a esperança aparece sem ingenuidade. “Pulling Up Roots”, novo avanço do álbum <em>I&#8217;ve Missed You All These Years</em>, talvez seja um dos exemplos mais claros dessa capacidade.</p>



<p>“pulling up roots” , arrancar raízes, é uma expressão muito curiosa da língua inglesa. Normalmente é utilizada para falar de mudanças profundas, mudar de vida, deixar para trás aquilo que durante anos nos definiu. À primeira vista, a imagem parece violenta. Afinal, as raízes são aquilo que nos prende à terra, aquilo que nos dá estabilidade e que julgamos fazer-nos crescer.</p>



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<p>Mas existe outra forma de olhar para elas. Por vezes, as raízes não nos prendem apenas ao que amamos. Também nos prendem às versões antigas de nós próprios e a hábitos que já não fazem sentido, a dores que continuam presentes muito depois de terem deixado de nos ensinar alguma coisa.</p>



<p>É precisamente nesse espaço que “Pulling Up Roots” encontra a sua força. A canção não fala da destruição do passado. Nem da tentativa de o esquecer, mas de algo muito mais difícil: reconhecer que existe um momento em que a sobrevivência deixa de ser suficiente. A própria Sera Cahoone descreveu a música como uma canção sobre alcançar o outro lado e voltar a sentir crescimento depois de tempos difíceis. </p>



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</div>



<p>No fundo, Sera Cahoone fala-nos de uma das formas mais silenciosas de transformação. Aquele momento raro em que deixamos de medir a vida por aquilo que perdemos e começamos lentamente a reconhecer aquilo que ainda pode crescer.</p>
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		<title>[Entrevista] Cristina Branco</title>
		<link>https://www.ecletismomusical.pt/entrevista-cristina-branco-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 10:36:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Interviews]]></category>
		<category><![CDATA[cristina branco]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Cristina Branco construiu uma das trajetórias mais singulares da música portuguesa. Partindo do fado, mas recusando sempre permanecer limitada pelas suas fronteiras mais previsíveis, foi criando uma obra onde convivem tradição, literatura, canção de autor e uma permanente curiosidade artística. Desde a nossa última conversa, passaram]]></description>
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<h5>Ao longo de mais de duas décadas de carreira, <a href="https://www.instagram.com/cristinabrancomusica/">Cristina Branco</a> construiu uma das trajetórias mais singulares da música portuguesa. Partindo do fado, mas recusando sempre permanecer limitada pelas suas fronteiras mais previsíveis, foi criando uma obra onde convivem tradição, literatura, canção de autor e uma permanente curiosidade artística. </h5>



<h5>Desde a nossa última conversa, passaram vários anos e vários discos. Alguns aprofundaram territórios já familiares, outros abriram novas possibilidades criativas, culminando mais recentemente em projetos como <em>Mãe</em> e <em>Mulheres de Abril</em>, trabalhos que dialogam simultaneamente com a memória, a identidade e o presente.</h5>



<h5>Nesta entrevista para o <strong>Ecletismo Musical</strong>, regressamos a temas que já tinham marcado o nosso encontro anterior: a dúvida, a relação com os textos, a transformação constante das canções e a forma como a música comunica para lá das palavras. </h5>



<p><strong>Ecletismo Musical (EM): Desde a nossa última entrevista, passaram vários anos e projetos, incluindo discos muito distintos entre si. O que é que sentes que se tornou mais claro no teu caminho e o que ficou mais em dúvida?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Dúvidas existem sempre, mas voltaria a fazer tudo. Acredito que a dúvida faz parte do crescimento e isso sim, cresci bastante. Vocalmente e também na interpretação e que é essa última que me distingue, que me faz ser a cantora que sou. A evolução vocal tem a ver com essa procura e encontrar ferramentas que possam ajudar a criar o tal mundo por onde a voz tem que passar.</p>



<p><strong>EM: Depois de tudo o que já fizeste, ainda estás à procura de alguma coisa ou hoje trata-se mais de aceitar o que já encontraste?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Estarei sempre à procura.</p>



<p><strong>EM: Na nossa última conversa falávamos também da tua relação com as palavras e da forma como te colocas dentro de um texto que não é teu. Hoje, com mais distância, sentes que te aproximaste mais da ideia de habitar essas palavras ou de as transformar para que possam caber em ti? Onde é que termina o autor e começas tu?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco:</strong> No momento em que o texto chega até mim, passa a ser também meu e sim, entro e faço dele a minha história.</p>



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</div>



<p><strong>EM: Quando regressas a uma canção que cantas há muitos anos, estás a reencontrar algo fixo ou a confrontar uma versão antiga de ti mesma que já não existe? E como é que te continuas a reinventar dentro dessa repetição?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco:</strong> Nem uma coisa nem outra, é sempre novo, há sempre algo a descobrir porque todos os dias são diferentes e a predisposição traz esse “futuro” às coisas, é a parte divertida das coisas.</p>



<p><strong>EM: Há uma linha muito clara no teu percurso entre contenção e intensidade. Entre aquilo que escolhes mostrar e aquilo que manténs fora da canção. Essa fronteira ainda é uma escolha consciente ou já se tornou uma forma de te protegeres daquilo que a música poderia expor?  </strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Na música tudo é carne viva, não daria para omitir nada. Sou eu e os textos.</p>



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</div>



<p><strong>EM: Grande parte do teu percurso foi construída perante públicos que não entendem a língua. Nesses momentos, o que sentes que está realmente a ser comunicado: o significado das palavras ou algo anterior a elas, mais físico, mais universal?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Neste momento acho pertinente envolver a história que levo ao palco, os textos, na minha história e tornar tudo isso num discurso eminentemente social e comprometido com os valores que eu defendo. Do multiculturalismo ao feminismo, dos valores democráticos à xenofobia. Afinal canto a vida e posso conduzir o meu discurso e dizer o que penso porque realisticamente tudo se encaixa. Sempre tive uma linha condutora naquilo que canto e não é descabido enquadrar textos cantados e um discurso ativamente empenhado.</p>



<p><strong>EM: Disseste que <em>Menina</em>, <em>Branco</em> e <em>Eva</em> formam uma trilogia fora do fado, um espaço de expansão que culmina depois em <em>Mãe</em>, um regresso ao fado tradicional . Esse regresso é um retorno consciente ou uma consequência inevitável desse afastamento?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>É um retorno natural por ser o meu território mais visceral. O processo criativo e também de descoberta, saltar fora da caixa (como as pessoas gostam de dizer) foi e será sempre uma necessidade. Aprende-se muito a olhar de fora para dentro. </p>



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</div>



<p><strong>EM: Em <em>Mulheres de Abril</em>, regressas ao universo de José Afonso, mas a partir de um foco muito específico: as mulheres das suas canções, muitas vezes envoltas em silêncio. Quando decides cantá-las, estás a dar-lhes voz ou a revelar o silêncio que sempre esteve lá?</strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Estou a dar a minha voz a mulheres que estavam perdidas dentro do universo do Zeca. Ele enumerou-as e eu aponto o dedo, porque elas ainda existem.  Volvidos 50 anos, nada mudou, eventualmente mudamos nós, mulheres. Perdemos o medo e ganhamos a liberdade (ameaçada novamente) de nos exprimirmos e contestarmos.</p>



<p><strong>EM: Em 2018, referiste que no teu Festival ideal colocavas:&#8221;Marisa Monte, Jacques Brel, Gregory Porter,  Nick Cave, Sting, Chico Buarque…e este festival durava um ano inteiro se continuasse a enumerar nomes!&#8221; No entretanto, em 2026, acrescentavas algum nome que tenhas descoberto entretanto e que tenha surpreendido verdadeiramente? </strong></p>



<p><strong>Cristina Branco: </strong>Raye, Rosalía, Silvia Pérez Cruz…</p>



<p><strong>EM: Depois destes últimos trabalhos, que parecem fechar vários ciclos ao mesmo tempo, sentes que estás num ponto de recomeço? Há algo que já esteja a nascer, mesmo que ainda sem forma definida, e que possas deixar entrever?  </strong></p>



<p><strong>Cristina Branco:</strong> Quando mergulhas tão fundo dentro de ti, quando a procura do teu mister, da arte é pensada e questionada, as possibilidades de criação são imensas. Diria que só na impossibilidade de continuar a executar aquilo que me apaixona é que cessarei de procurar, ou então não, procurarei outros canais via o outro ou outro objeto de reflexão que não a voz.</p>
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		<title>[New Single] Sondre Lerche &#8211; Follow The River</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 22:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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		<category><![CDATA[new album]]></category>
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		<category><![CDATA[Sondre Lerche]]></category>
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					<description><![CDATA[Após o aclamado Avatars of Love e uma carreira que já ultrapassa duas décadas, Sondre Lerche continua a afirmar-se como uma das vozes mais elegantes e consistentes da pop alternativa contemporânea. O cantor e compositor norueguês regressa agora com “Follow The River”, um dos temas que integrará o seu mais recente álbum, que será publicado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após o aclamado <em>Avatars of Love</em> e uma carreira que já ultrapassa duas décadas, <a href="https://www.instagram.com/sondrelerche/">Sondre Lerche</a> continua a afirmar-se como uma das vozes mais elegantes e consistentes da pop alternativa contemporânea. O cantor e compositor norueguês regressa agora com “Follow The River”, um dos temas que integrará o seu mais recente álbum, que será publicado em Agosto.</p>



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</div>



<p>Ao longo da música, acompanhamos duas pessoas que parecem existir inicialmente entre o sonho e a realidade. Há mensagens que atravessam a noite, encontros inesperados e uma sensação permanente de que algo importante está prestes a acontecer. Existe uma pergunta que atravessa toda a canção: “Tell me am I real or am I dreaming?”. Talvez porque algumas das experiências mais transformadoras da nossa vida cheguem precisamente dessa forma. Sem aviso e sem qualquer certeza de que aquilo que estamos a sentir conseguirá sobreviver ao regresso à realidade.</p>



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</div>



<p>Mas “Follow The River” recusa permanecer nesse lugar de dúvida. Gradualmente, a canção transforma-se numa celebração da vida em movimento, da capacidade de aceitar aquilo que surge quando deixamos de tentar controlar todos os resultados e abandonamos a necessidade de conhecer o destino antes de dar o primeiro passo. </p>



<p>É aí que surge o refrão: “All is over. Everything is starting new. Everything&#8217;s in front of you.” Não necessariamente como o fim de uma história, mas como o reconhecimento de que, por vezes, a vida nos coloca perante possibilidades que não tínhamos previsto e nos obriga a olhar para o futuro de uma forma diferente.</p>



<p>Sondre Lerche parece recordar-nos que a vida raramente segue os caminhos que planeámos. E talvez seja precisamente por isso que continua a surpreender-nos. Porque existem momentos em que o mais difícil não é descobrir uma nova direção. É aceitar que ela existe e aprender a caminhar em direção a uma versão de nós que ainda não conhecemos completamente.</p>
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		<title>[Worth Listening to] Janeiro &#038; Valter Lobo &#8211; Cor lá Fora</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 09:53:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em “Cor Lá Fora”, acompanhado por Valter Lobo, Janeiro apresenta o primeiro avanço do seu novo álbum e convida-nos a regressar a um lugar que muitas vezes esquecemos existir. Vivemos numa época marcada pelo ruído e pela necessidade permanente de encontrar respostas. Muitas vezes, perante a incerteza, fechamo-nos sobre nós próprios, criamos paredes invisíveis, habitamos]]></description>
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<p>Em “Cor Lá Fora”, acompanhado por <a href="https://www.instagram.com/valterlobo/">Valter Lobo</a>, <a href="https://www.instagram.com/janeiromusic/">Janeiro</a> apresenta o primeiro avanço do seu novo álbum e convida-nos a regressar a um lugar que muitas vezes esquecemos existir.</p>



<p>Vivemos numa época marcada pelo ruído e pela necessidade permanente de encontrar respostas. Muitas vezes, perante a incerteza, fechamo-nos sobre nós próprios, criamos paredes invisíveis, habitamos os nossos medos e convencemo-nos de que o mundo lá fora perdeu a cor que um dia teve.</p>



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<p>É precisamente contra essa tentação que esta canção parece erguer a sua voz. Existe uma maturidade serena na forma como olha para a incerteza. Não como um inimigo a derrotar, mas como uma condição inevitável da vida.</p>



<p>“Cor Lá Fora” fala precisamente dessa capacidade de voltar a abrir a janela. De voltar a olhar para a vida com curiosidade e de reconhecer que nem todas as transformações acontecem de forma repentina e que, por vezes, basta &#8220;um desejo escarlate, um amor marfim, um horizonte turquesa, mando-te este recado, mandarei mais mil, podes ter a certeza&#8230;&#8221;</p>



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<p>Talvez seja por isso que a canção possa ter tanto impacto. Não promete finais felizes nem soluções imediatas, mas ajuda a recordar-nos algo simples e essencial: mesmo nos períodos de maior incerteza, continua a existir cor lá fora. E, por vezes, basta isso para nos fazer voltar a caminhar.</p>



<p>Foto: Daniela Gandra</p>
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		<title>[Worth Listening to] Jack Wyllie &#8211; Eternal Spring</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 22:11:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo das últimas duas décadas, Jack Wyllie construiu um percurso singular dentro da música contemporânea. Conhecido sobretudo como fundador dos Portico Quartet, o saxofonista britânico sempre demonstrou uma capacidade rara para encontrar pontos de encontro entre jazz, música ambiente e minimalismo. “Eternal Spring” pertence a esse universo. O título remete imediatamente para uma ideia]]></description>
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<p>Ao longo das últimas duas décadas,<a href="https://www.instagram.com/jackwylliemusic/"> Jack Wyllie</a> construiu um percurso singular dentro da música contemporânea. Conhecido sobretudo como fundador dos <strong>Portico Quartet</strong>, o saxofonista britânico sempre demonstrou uma capacidade rara para encontrar pontos de encontro entre jazz, música ambiente e minimalismo. </p>



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<p>“Eternal Spring” pertence a esse universo. O título remete imediatamente para uma ideia antiga e profundamente humana: a procura de uma primavera permanente. Um lugar onde nada envelhece, onde a beleza não desaparece e onde a vida permanece suspensa no seu momento de maior plenitude.</p>



<p>Mas a música parece interessar-se menos pela possibilidade dessa primavera eterna e mais pelo motivo que nos leva a procurá-la. Existe uma resistência natural à passagem do tempo. Uma dificuldade em aceitar que aquilo que amamos também está sujeito à mudança. Talvez por isso tantas culturas tenham imaginado jardins eternos, paraísos, fontes da juventude ou lugares onde o tempo deixa de exercer o seu poder.</p>



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<p>Porque a vida raramente nos oferece primaveras eternas. Oferece-nos encontros, possibilidades e caminhos que nem sempre sabemos reconhecer quando surgem. E, por vezes, basta um desses momentos para alterar silenciosamente a forma como olhamos para tudo o resto.</p>



<p>Talvez seja essa a primavera que realmente procuramos. Não a que dura para sempre, mas a que nos recorda que ainda somos capazes de crescer, mudar e florescer de formas que não imaginávamos.</p>
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		<title>[Worth Listening to] Pond &#8211; Skyworks</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ecletismomusical]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 10:10:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao longo de mais de uma década, os Pond construíram uma discografia sólida na psicadelia moderna. Nascidos em Perth, na Austrália, e partilhando várias ligações com o universo dos Tame Impala, a banda liderada por Nick Allbrook sempre preferiu seguir um caminho próprio. “Skyworks” tema que abre o novo álbum, &#8220;Terrestrials&#8221; mantem a linha da]]></description>
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<p>Ao longo de mais de uma década, os <a href="https://www.instagram.com/ponderers/">Pond </a>construíram uma discografia sólida na psicadelia moderna. Nascidos em Perth, na Austrália, e partilhando várias ligações com o universo dos Tame Impala, a banda liderada por Nick Allbrook sempre preferiu seguir um caminho próprio. </p>



<p>“Skyworks” tema que abre o novo álbum, &#8220;Terrestrials&#8221; mantem a linha da experimentação, apoiado no surrealismo e na capacidade da música para transformar o quotidiano em algo estranho e maravilhoso.</p>



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<p>O título sugere imediatamente imagens de movimento e construção. Algo que está constantemente a ser criado e desfeito acima das nossas cabeças.</p>



<p>Ao longo de “Skyworks”, sente-se essa mistura entre deslumbramento e vertigem. A música avança como uma viagem através de paisagens em permanente transformação. Nada permanece estático durante muito tempo. </p>



<p>E talvez seja precisamente aí que a canção encontra a sua força. Passamos anos a imaginar futuros, a construir cenários e a procurar respostas para perguntas que ainda nem chegaram. Mas a vida raramente acontece da forma como a planeamos.</p>



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<p>&#8220;Skyworks&#8221; parece recordar-nos que existe uma diferença entre aquilo que imaginamos e aquilo que a vida nos traz. Porque alguns dos momentos mais importantes da nossa história não nasceram de um plano perfeito. Nasceram quando tivemos coragem de entrar no desconhecido e descobrir quem éramos do outro lado.</p>



<p>No fundo, talvez a beleza esteja precisamente aí. Não nas certezas nem nos planos perfeitos, mas na coragem de continuar a avançar quando o horizonte permanece incompleto. Porque a vida raramente nos mostra o mapa inteiro. Revela apenas o suficiente para darmos o próximo passo.</p>
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		<title>[Worth Listening to]  The Album Leaf &#038; Nicole Miglis &#8211; Turns</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 14:12:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao longo de mais de duas décadas, Jimmy LaValle transformou The Album Leaf num dos projetos mais reconhecíveis da música instrumental contemporânea. Entre o pós-rock e a eletrónica ambiental, a sua música sempre pareceu interessar-se menos por acontecimentos e mais por estados de espírito. Em “Turns”, essa linguagem ganha uma nova dimensão através da colaboração]]></description>
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<p>Ao longo de mais de duas décadas, Jimmy LaValle transformou <a href="https://www.instagram.com/thealbumleaf/">The Album Leaf</a> num dos projetos mais reconhecíveis da música instrumental contemporânea. Entre o pós-rock e a eletrónica ambiental, a sua música sempre pareceu interessar-se menos por acontecimentos e mais por estados de espírito.</p>



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<p>Em “Turns”, essa linguagem ganha uma nova dimensão através da colaboração com <a href="https://www.instagram.com/nicolemiglis_/">Nicole Miglis</a>, voz dos Hundred Waters.</p>



<p>O próprio título é revelador. &#8220;Turns&#8221;. A vida raramente avança em linha reta. Gostamos de imaginar percursos claros, objetivos definidos e destinos previsíveis, mas a realidade costuma ser construída por desvios inesperados. Acasos que, vistos anos depois, acabam por explicar grande parte daquilo que nos tornámos.</p>



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<p>Talvez seja por isso que a canção ressoa de forma tão particular. Porque aceita que a mudança faz parte do movimento natural da vida. E que nem todas as respostas aparecem imediatamente quando mudamos de direção.</p>



<p>Foto: Devin Otar Yalkin</p>
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