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	<title>Rosalía</title>
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		<title>[Review] Rosalía &#8211; Lux</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 10:00:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecletismo Musical]]></category>
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					<description><![CDATA[Passado o barulho do anúncio e do lead single, o novo capítulo de Rosalía pede que o ouçamos com tempo e sem filtros: “Lux” não entra por causa do trending (apesar de todo o histerismo), entra para colocar em perspetiva uma carreira que começou no Flamenco de raiz, passou pela reinvenção radical do pop latino]]></description>
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<p>Passado o barulho do anúncio e do lead single, o novo capítulo de <a href="https://www.instagram.com/rosalia.vt/">Rosalía</a> pede que o ouçamos com tempo e sem filtros: <strong>“Lux”</strong> não entra por causa do trending (apesar de todo o histerismo), entra para colocar em perspetiva uma carreira que começou no Flamenco de raiz, passou pela reinvenção radical do pop latino e agora escala um território litúrgico-orquestral que lhe assenta como evolução lógica e que demonstra aquilo que os mais atentos já sabiam, <strong>Rosalía</strong> é uma das mais ecléticas artistas do panorama mundial.</p>



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<p>A ideia de que <strong>Rosalía</strong> é <em>“só pop</em>” cai por terra logo nos primeiros minutos: há uma gramática de sala, escrita de longa duração e em múltiplas línguas, vozes que respiram como coro e uma arquitetura dividida em movimentos que pede atenção inteira. O contrário da canção descartável.</p>



<p>Para perceber melhor isto, vale recuar. Antes de lights, TikTok e estádios, houve estudo e palco pequeno: a colaboração com o seu então namorado <strong>C. Tangana</strong> em &#8220;Antes de morirme&#8221;  (2016).</p>



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<p>O começo em nome próprio em “Los Ángeles”, mão na mão com<em> </em><strong>Raül Refree</strong>, foi um statement de cantaora moderna a trabalhar repertório tradicional com rigor e risco. Disco que termina com um cover de «I see a Darkness», tema maior da obra de <strong>Will Oldham (Bonnie &#8216;Prince&#8217; Billy)</strong> e que uma Rosalía cheia de alma (mas ainda com notórias limitações na pronunciação) decidiu interpretar de forma magistral.</p>



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<p>Depois chegou a pop e a visão conceptual rara, entre flamenco com electrónica e R&amp;B. Anos depois, <em>Motomami</em> reescreveu o dicionário do <em>mainstream</em> ao colar reggaeton, bachata, bolero e eletrónica numa assinatura própria.</p>



<p>“Lux” chega depois desse pico com um gesto diferente. O disco foi pensado com orquestra, coro e direção musical que confia no silêncio, na tensão e no timbre como matéria dramática. Em vez de empilhar featurings para fazer barulho, escolhe vozes que acrescentam mundo, da vanguarda ao Fado de Carminho, do Flamenco (Estrella Morente e Sílvia Perez Cruz) à pop de culto de Björk e alinha tudo com uma escrita que cruza santos e profanas, em várias línguas, sem ceder à caricatura turística. <br><br> O choque aqui não é de género, é de ambição: transformar a linguagem da canção num oratório moderno que cabe na vida de 2025. Para quem insistir em ver Rosalía como “artista pop”, o disco é talvez o argumento mais claro de que pop, no seu caso, sempre foi método e não jaula ou máquina para fazer dinheiro. </p>



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<p>A formação clássica, a disciplina flamenca, a obsessão pelo detalhe e a disposição para reformular o próprio léxico aparecem aqui destiladas numa obra que conversa com a música erudita sem pedir licença e sem pedir desculpa. </p>



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<p>No fim, “Lux” não apaga nada do que veio antes, acende o que faltava ver: uma artista que estudou, arriscou e reescreveu as suas próprias regras a cada projeto, a trabalhar agora num registo exigente que muitos evitariam por medo de perder terreno. Em vez disso, ganha escala e profundidade, provando que a sua história nunca foi a de seguir a corrente, mas a de mudar-lhe o curso. Passado o hype, fica o essencial: talento, método e uma visão teimosa de que a canção ainda pode ser lugar de assombro eclético.</p>
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