Irma aproxima-se de “Black Sun (Acoustic)” como quem retira tudo o que não é essencial para perceber o que realmente permanece, e é nesse despojamento que a canção encontra uma nova forma de existir, menos construída.
Cantora e compositora franco-camaronesa, Irma apresenta uma linguagem entre folk, soul e pop, mas também numa relação muito direta com a intimidade, algo que aqui ganha ainda mais espaço ao reduzir a música ao essencial, voz e poucos elementos, deixando que cada palavra carregue um peso diferente
“Black Sun”, originalmente integrada no álbum The Dawn de 2020, já trabalhava essa dualidade entre luz e sombra, mas nesta versão acústica tudo se torna mais evidente, não pela intensidade, mas pela proximidade, como se a música deixasse de acontecer à distância para passar a existir dentro de quem a ouve.
Irma nunca foi artista de seguir o tempo dos outros, e neste novo ciclo decide ir ainda mais longe, recusando o próprio formato do álbum como algo fechado, optando antes por deixá-lo acontecer à vista de todos, uma canção por mês, como se cada lançamento fosse menos um avanço e mais um fragmento de algo que ainda se está a formar
Os primeiros temas revelados, “You and I Should Marry”, “Nobody Wins” e “Lost & Found”, não funcionam como singles isolados, mas como pontos de entrada para diferentes estados emocionais, quase como capítulos que não se explicam entre si, mas que começam a desenhar uma linha comum, uma exploração persistente do amor nas suas várias formas, da promessa à dúvida.
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