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[Entrevista] LINCE

O Ecletismo Musical teve desta vez oportunidade de ficar a conhecer melhor Sofia Ribeiro e o seu projecto LINCE. Depois de uma audição cuidada ao álbum de estreia – “Hold to Gold” – que tem edição marcada para o próximo dia 19 de Outubro (Concerto de apresentação nesse dia no Musicbox, em Lisboa e, já amanhã, 17/10, no Maus Hábitos, no Porto), fica a certeza de que a doçura, o bom gosto e talento demonstrado irão fazer de LINCE um nome a reter, e que, daqui a algum tempo, os We Trust passarão a ser aquela banda que tinha LINCE nas teclas!

EM: Olá Sofia, quem é Lince? Já existia antes de We Trust? Porquê fazer música? Onde tudo começou?

LINCE: Olá! Lince é uma parte da Sofia. Uma parte significativa dela que existe há muito tempo mas só há pouco ganhou forma.

Já existia antes de WE TRUST. Eu comecei a compor já antes de fazer parte da banda mas fui amadurecendo e deixando-me crescer musicalmente antes de lançar qualquer coisa composta por mim.

Fazer música vem naturalmente, com uma necessidade de registar as ideias melódicas e líricas que tenho. Não sei bem como tudo começou. Senti que foi um processo gradual. Primeiro por gostar de cantar, depois com a necessidade de aprender um instrumento e tudo se foi desenrolando a partir daí. Agora não me sento ao piano senão para compor algo.

EM: A música ainda é apenas um side job ou é a tua vida a full time?

LINCE: Nunca tive só uma atividade na vida. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Acho que umas funcionam como um escape das outras, ou quase um descanso, como se dessem o tempo de distância suficiente para depois voltar com a cabeça livre.

Assim, é um dos trabalhos que tenho. Também danço, dou aulas de dança, estou ligada às artes performativas e plásticas. Recentemente envolvi-me num projeto familiar ligado à doçaria, onde desenvolvo um trabalho criativo.

EM: Sentes que estás ainda no processo de “libertação das teclas” e a aprender a assumir o papel de frontwoman? Parece-te que a sensibilidade e doçura das tuas canções, enquanto reflexo da tua personalidade, podem dificultar esse processo?

LINCE: Não sinto isso. Eu sempre fui mais vocalista do que instrumentista. Acho que tive de me adaptar a estar concentrada nas teclas, quando entrei para WE TRUST.

A questão agora é que assumo o projeto por completo e isso é bastante exigente. Toco sozinha em palco e às vezes o estar concentrada em tudo o que diz respeito à música pode dificultar o contacto com o público. E sim, as minhas músicas não são propriamente músicas que ponham o público a saltar, a energia é outra. Mas nos concertos procuro sempre quebrar isso e interagir com as pessoas.

Sempre estive confortável em palco e adoro sentir o que cada público nos dá. É diferente em cada concerto.

EM: Um ano depois do EP Drops, para quando o primeiro álbum de originais?

LINCE: O primeiro álbum está quase quase a sair. Chama-se Hold To Gold e sairá já no próximo mês de Outubro. [Nota do Editor: O Álbum é editado a 19 de Outubro]

EM: No teu processo criativo, de onde surgem as letras? São maioritariamente autobiográficas?

LINCE: São maioritariamente autobiográficas. Surgem sempre de momentos, episódios da minha vida. Muitas vezes como metáforas outras vezes mais realistas. Quase sempre sento-me ao piano, começo uma melodia e ela sai acompanhada por uma frase que a retrata. Desenvolvo a música a partir daí.

EM: Achas que a pop eletrónica em português não resulta? Tens alguma coisa em português que ainda ninguém tenha ouvido?

LINCE: Não acho nada isso. Acho que qualquer tipo de música pode resultar em qualquer língua.

Já escrevi algumas coisa em português mas não o desenvolvi para música. Pode ser que isso aconteça um dia. Não sou daquelas pessoas que se prende a uma coisa e que não pensa sequer na possibilidade de mudar.

Habituei-me a ouvir musica em inglês e isso surgiu também na minha música. A linguagem principal, para mim, é a música.

EM: A propósito, qual consideras ser o «estado d’arte» da música feita em Portugal?

LINCE: Acho que a música em Portugal tem crescido muito bem a um bom ritmo. Há muita coisa boa a ser feita. Músicas de vários géneros e de grande qualidade tem surgido por todo o país e há cada vez mais espaço para que todos consigam mostrar o que fazem.

Está tudo facilmente acessível a todos e, claro, estamos numa época de ouro no que diz respeito à divulgação.

EM: Que nomes colocavas no teu “Festival Ideal”? (Vivos ou não)

Jeff Buckley; James Blake; Nils Frahm; Beatles; Nina Simone; Jungle; Pink Floyd; Sufjan Stevens

EM: Se tivesses que identificar os 5 melhores álbuns de sempre, qual era a tua escolha? E porquê?

Não consigo identificar os melhores álbuns de sempre. A única coisa que consigo fazer é enunciar álbuns ou obras que me marcaram de alguma forma.

Há as sinfonias de Beethoven, como a 7, que me marcaram e me fazem lá voltar de vez em quando. Obras de Satie ou Debussy, que me inspiraram desde o momento em que as ouvi, principalmente na fase em que comecei a tocar piano.

Depois lembro-me do álbum Grace de Jeff Buckley, que me acompanhou por longas horas, ou o Morning View e o A Crow Left Of The Murder, de Incubus, na adolescência, que fizeram parte dos meus primeiros anos na música.

Atualmente, todo o trabalho de Sufjan Stevens, destacando o Carrie and Lowel, ou o novo disco de Jungle, são presenças constantes na minha vida.

EM: Quais são os teus planos para os próximos meses? Por onde irás andar?

LINCE: Nos próximos meses vou estar a apresentar o meu disco de estreia. Conto chegar a vários pontos do país com ele. Para começar tenho concertos de apresentação no Porto, dia 17 de outubro, e em Lisboa, dia 19 de outubro.

Obrigado LINCE e muito sucesso!

Agradecimento Especial:
Sónia Ramos 

Fotos: Hugo Domingues

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