Existem canções que pertencem aos seus autores. E existem canções que, com o passar dos anos, parecem tornar-se maiores do que qualquer versão individual. “The Chain”, dos Fleetwood Mac, pertence claramente à segunda categoria. Mais de quatro décadas depois da sua edição original, continua a ser uma das representações mais intensas e contraditórias das ligações humanas, precisamente porque nunca tenta simplificá-las.
Na sua interpretação para o programa Like A Version, os australianos The Tullamarines optam por não competir com o peso histórico da composição. Em vez disso, retiram-lhe alguma da grandiosidade rock da versão original e aproximam-na de um território mais íntimo, onde cada palavra parece ganhar um significado renovado.
O mais interessante nesta versão não está na tentativa de reinventar a canção, mas na forma como os The Tullamarines retiram algum do dramatismo explosivo da gravação original para revelar algo mais subtil que sempre esteve escondido dentro dela.
Existem atuações de rua. E depois existem momentos que nos fazem esquecer completamente onde estamos. Durante alguns minutos, a cidade deixa de ser apenas um lugar de passagem para se transformar numa sala de concertos improvisada, onde desconhecidos param, se aproximam e acabam unidos pela mesma canção.
É precisamente isso que acontece nesta extraordinária interpretação de “The Chain”, dos Fleetwood Mac. O duo Rueben & Gotxi junta-se a Shanilee, Gio Dara e Andrew Duncan para construir uma interpretação onde cada voz encontra naturalmente o seu espaço. Não existem protagonistas. Existe apenas um grupo de músicos que compreende que algumas canções só funcionam plenamente quando são colocadas ao serviço da música, e não do ego de quem as interpreta.
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