Inês Xará é uma cantora e compositora portuguesa natural de Oliveira de Azeméis, que construiu o seu percurso de forma quase artesanal, escrevendo, compondo e produzindo o seu próprio trabalho. Fénix (2026), o seu álbum de estreia.
Em “CATOS” há desde o primeiro momento uma sensação de resistência, como se tudo estivesse construído para não deixar entrar facilmente. O próprio título já aponta para isso: não é sobre beleza, é sobre sobrevivência.
A música move-se num território onde o desconforto não é evitado, é assumido. Há uma tensão constante entre aproximação e afastamento, como se cada palavra fosse dita com a consciência de que pode ferir, não por agressividade, mas por verdade. E é precisamente nessa fricção que a canção ganha forma.
Vive assim dessa ideia de proteção, de crescer num ambiente onde não há espaço para fragilidade sem consequência. E isso sente-se na forma como tudo se constrói, como camadas que se vão acumulando, cada uma mais difícil de atravessar do que a anterior. Há um equilíbrio estranho entre contenção e exposição, onde a música nunca se entrega totalmente, mas também nunca se esconde.
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