Quando olhamos para MARO hoje, com o seu novo álbum So Much Has Changed, percebemos que o título não é apenas uma afirmação artística. É um espelho de tudo aquilo que se moveu desde os primeiros dias em que a conhecemos, quando ainda caminhava entre sonhos, Berklee e a convicção serena de que a música deveria ser expressão pura e verdadeira.
Naquela entrevista ao Musical Eclecticism, ainda em 2018, MARO falava sobre música como linguagem universal, sobre a vida em Los Angeles, sobre viver de música, e sobre a sua recusa firme em fazer concessões ao sabor do mercado, demonstrando desde logo uma artista que queria dar voz ao que sentia, sem moldes pré-concebidos.
Hoje, com So Much Has Changed essa vontade de ser genuína continua a pulsar no centro da sua música, mas com uma profundidade que só o tempo, as experiências e a vida lhe poderiam dar. Este álbum não é apenas um conjunto de canções; é um mapa emocional construído no limiar dos 30 anos, onde MARO reconhece e aceita que “a vida é muito mais curta do que achava” e que “as dores, por mais intensas que sejam, são também passageiras e formas de nos ensinarem a ser mais inteiros”.
O álbum abre com I Owe It to You, um gesto de gratidão luminosa às raízes, às pessoas e às experiencias que a moldaram e dali seguimos para faixas como So Much Has Changed, que dá nome ao disco e encapsula o seu sentimento central: olhar o passado com serenidade, sentir a mudança sem medo e acolher aquilo que é inevitável.
O que se ouve neste trabalho é uma voz que já reconhecemos, profunda, sensível e verdadeira, mas agora com uma confiança tranquila que só o tempo pode trazer. Em canções como Kiss Me or Feeling So Nice, essa serenidade floresce em melodias suaves e uma beleza que respira intimidade e presença.
Mas o disco sabe também olhar para os lados mais difíceis da vida: It Ain’t Over and Drown exploram a persistência de emoções pesadas e a necessidade de as enfrentar sem recuar, enquanto Love’s Not to Beg coloca o amor num lugar de dignidade e liberdade.
O percurso emocional do álbum culmina em To Grieve You, uma despedida e um acto de aceitação que fala tanto de perdas concretas como da maneira como aprendemos a lidar com elas ao longo dos anos. Esta faixa encerra So Much Has Changed não com tristeza vazia, mas com uma serenidade reflexiva: a sensação de que o luto tem lugar num mapa maior de crescimento e compreensão, e que olhar para aquilo que perdemos pode ensinar-nos a ver com mais ternura aquilo que ainda nos rodeia.
Ao longo destes dez temas, MARO reafirma aquilo que sempre declarou: a música é para ela um lugar de verdade, onde não há fórmulas a seguir e isso sente-se em cada detalhe deste álbum. O som é mais luminoso (com mais recurso à electrónica do que outros trabalhos) e em alguns momentos mais expansivo que no passado, mas sem perder a autenticidade e a profundidade que tornaram a sua obra tão especial desde o início.
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