Capital da Bulgária, projeto de Sofia Reis, tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais particulares da nova música portuguesa, não tanto pela tentativa de inovar formalmente, mas pela forma como recusa alinhar-se com qualquer expectativa clara, construindo um universo profundamente pessoal.
É precisamente nesse território que ensina-me a gostar se instala, não como afirmação de um caminho, mas como continuação de um processo que nunca se pretende fechado.
Ao longo das faixas, há uma sensação constante de instabilidade emocional que não se resolve, mas também não se dramatiza, como se cada canção existisse num ponto intermédio entre querer sentir e não saber exatamente como o fazer.
Nesta Capital o amor é deslocado do lugar espontâneo para um território quase aprendido, como se gostar fosse algo que se treina, que se tenta, que se falha repetidamente, e essa noção atravessa o EP inteiro sem nunca ser explicada diretamente, surgindo antes como uma presença difusa que condiciona tudo o resto, desde a forma como a voz se posiciona até à maneira como os arranjos evitam qualquer excesso ou resolução.
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