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[MEO Sudoeste 2018] Review

[MEO Sudoeste 2018] Review

De 7 a 11 de Agosto, a Zambujeira do Mar voltou a receber os festivaleiros, na sua anual romaria à Herdade da Casa Branca. Desde 1997 que assim acontece algures em Agosto e, este ano, mais uma vez, muitos rumaram a sul para 9 dias de campismo e quatro de música “a sério”.

Como já aqui se escreveu no lançamento do Festival, se existe evento que tenha mudado ao longo dos anos, o MEO Sudoeste é o exponente máximo no que significa mudar consoante os ventos. Para muitos, essa mudança é marcadamente negativa e significou riscá-lo do mapa. Para outros, cada vez mais jovens, o Sudoeste, muito mais do que um conjunto de concertos de bons artistas (que continua a tê-los), passou cada vez mais a ser um ritual de passagem da adolescência para a idade adulta.

Há vários anos que a Música no Coração percebeu que este era, no fundo, a enorme mais valia do Sudoeste. Numa época, em que, com a profusão de Festivais existentes em Portugal, uma parte muito significativa dos antigos frequentadores de Festivais já não tem idade ou paciência para ir acampar para o meio do Alentejo e apanhar quatro dias de pó a comer massa com atum, era necessário modificar o cartaz, indo ao encontro do gosto do público alvo.

Se isso torna o MEO Sudoeste um Festival muito diferente do NOS Alive ou do Super Bock Super Rock, naturalmente que sim.

No entanto (como em todos os Festivais), nos quatro dias da edição 2018 do MEO Sudoeste, foi possível assistir a um conjunto de concertos entre o bom e o mau, passando por um conjunto de artistas que se esforçaram por animar as hostes sem grande sucesso.

Deixa-se aqui alguns dos destaques do Festival:

UPS

Piruka

Como já se previa e por aqui se tinha escrito, o jovem rapper da Madorna, não ia perder a oportunidade de transformar esta sua apresentação no MEO Sudoeste, numa grande celebração e ser um dos melhores da noite de abertura do festival.

Para quem conhece a lírica de Piruka não será muito surpreendente que este concerto tenha sido uma celebração/homenagem com aqueles que mais presença têm na sua escrita: “A Família”. Seja ela os fãs que lhe permitiram ser o rei de visualizações no Youtube e que cantaram a plenos pulmões cada barra, quer, sobretudo, a sua família “de sangue” que tem papel central nas suas composições.

Num alinhamento que foi percorrendo os diversos hits da sua carreira, destaque para “Sirenes”, momento em que Piruka se emocionou e cantou com a sua filha ao colo:“Desde criança que eu ouço sirenes e não (não)/ Não quero isso para a minha filha”, como que numa libertação do seu passado problemático e demonstração de que é, agora, um Pai responsável e que lutará por futuro diferente para a sua filha.

Depois de dedicatória também ao seu Pai em “Os Meus Putos“, encerrou esta celebração com um gritado (de emoção) “Se Eu Não Acordar Amanhã”,  num momento com elevada carga emocional, ao chamar para o Palco toda a família, desde a sua mãe, irmã e filha, para além dos managers e demais elementos do seu clã e cantar para a mãe:Um obrigado à minha mamã/ Guerreira da vida o meu talismã/ Velha acredita, eu mudei de vida” e “Se eu não acordar amanhã/ Mete a clara a cantar o que eu escrevi”.

Terá sido certamente a concretização de um sonho e essa energia passou para quem o ouvia.

Blaya

Existe uma Blaya antes e depois de “Faz Gostoso”. Estranha-se que a opção da Organização tenha sido um espaço tão reduzido como o Palco LG. Os muitos que se concentraram nesse espaço teriam certamente preferido um espaço maior e que permitisse, quer no palco, quer sobretudo na plateia, mais espaço para dançar ao ritmo das sonoridades “funkeiras” de Blaya.

Ainda assim, a artista deu um espectáculo muito consistente, mostrando que está cada vez mais madura e confortável no papel de frontwoman e dominadora das massas. Não que Blaya nos Buraka Som Sistema não fosse já wild e decidida mas, existe uma enorme diferença, nesses tempos, a responsabilidade do projeto não lhe estava toda em cima dos ombros.

Num alinhamento cada vez mais “brasileiro”, onde o funk ganha provavelmente a todas as outras influências (o que provavelmente, para além dos aspectos comerciais relacionados com essa opção, fará apelo às suas raízes mais profundas, uma vez que Blaya nasceu no Brasil), Blaya, muito bem acompanhada por um quarteto misto de bailarinos e com músicos a tocar ao vivo (bateria e guitarra) demonstrou valer mais do que um minúsculo Palco LG. Voltará certamente em próximas edições e, muito provavelmente, no palco principal.

Com uma relação muito descomprometida com o seu corpo, Blaya lidou bem com as muitas ocasiões em que a roupa teimava em desvendar mais do que devia, tendo fechado o concerto com chave d’ouro, apresentando um medley de Buraka Som Sistema.

Papillon/Bispo/Domi

Dos bairros para os festivais é uma nova trend nos últimos anos em Portugal. Com a explosão dos dados móveis e o acesso massivo ao Youtube por pré-adolescentes e adolescentes, o fenómeno do Hip Hop tuga tem vindo a ter um crescimento sem precedentes e a permitir que jovens de bairros problemáticos, passem a ter rapidamente, uma vida totalmente diferente, quase de um dia para o outro.

Quer Papillon, quer Bispo são de Algueirão-Martins (2725), Domi, o mais jovem de todos, vive no Algarve, mas, todos eles conseguiram no Sudoeste deste ano, muito mais do que o apreço de uma pequena multidão de fãs que cantou a plenos pulmões as suas letras. Eles conseguiram viver o sonho de fazerem o que sempre acreditaram impossível e necessariamente negado a jovens dos locais em que cresceram.

Tal como Piruka, o facto de se apresentarem num Festival com a tradição e nome do Sudoeste é a concretização de algo que, muito provavelmente, mudará para sempre as suas vidas. É, como Papillon referia durante o concerto, a confirmação de que, afinal, o destino traçado perpetuadamente nos bairros em que vivem, não é o único caminho possível, e que, ao contrário do que acreditavam é possível mais: “achava que não ia chegar a lado nenhum na vida e hoje estou aqui a tocar para vocês”.

Shawn Mendes

Provavelmente, até a organização do Festival ficou surpreendida pelo número de pessoas que decidiu dirigir-se às bilheteiras no último dia do Festival, exclusivamente para ver este miúdo. De tal forma que, havendo só uma porta para os portadores de bilhete diário entrarem no recinto. formou-se, ao pôr do sol, uma fila ainda considerável. Na fila, era possível ver muitas famílias juntas, ficando por saber quem arrastou verdadeiramente quem para o Festival, num ambiente de histeria colectiva que provocou um pico de decibéis pelas 23h, quando os gritos quase abafaram os primeiros acordes do concerto.

Podemos começar pelo fim, o que Shawn Mendes apresentou (em pouco mais de uma hora) foi uma inequívoca demonstração de que o hype atual não será certamente apenas momentâneo, e que, Shawn tem mais do que argumentos para se transformar num artista pop com uma carreira a figurar entre os maiores desse género musical.

Por vezes, os artistas pop são apenas um sorriso bonito (que o tem), uma pose perfeita (que a tem), uma simpatia cativante (que a tem) e um conjunto de mais pequenos nadas. É aqui que Shawn Mendes começa a fazer a diferença. Para além de reunir todos estes tradicionais argumentos da pop, Shawn tem uma voz seguríssima, conseguindo deambular pelas músicas com enorme precisão e talento (mesmo em falsete), o que vai sendo raro nos dias que correm e, em que, a tecnologia, muitas vezes, salva fracas vozes.

Com um carreira ainda curta, o músico passou em revista os seus maiores sucessos e, provando mais uma vez ser um artista pop diferente da maioria, tendo já no seu reportório um conjunto alargado de Hits. Não foi uma plateia à espera “daquela música”, mas sim uma sucessão de temas cantados, entre muita histeria, pelo muito público presente, com obviamente especial destaque para “Ruin”; “Stitches” ou “In My Blood”.

Para já, Shawn voltará em Março (Altice Arena), naquele que será apenas certamente um dos muitos concertos esgotados que dará por Portugal nos próximos anos. Público, histerismo e talento não faltarão.

DOWNS

  • Wizkid/ Lil Pump

Como alguém disse (não, não foi Fernando Pessoa!!): “a intensidade das coisas não está no tempo que duram…”, mas, 30 minutos de esforço e pouco mais, são curtos para quem quer ser supervedeta para além do Youtube.

  • Algum desinteresse genérico do público pelos concertos.
  • A ausência de caixotes do lixo espalhados pelo recinto de forma mais visível, uma vez que, se foi tomada a boa medida da utilização do sistema de copos reutilizáveis, ficou a faltar a disponibilização de mais locais para colocar os restos de comida/embalagens, que se foram espalhando pelo “relvado” ao longo das noites.

Mais Fotos: AQUI!

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