Há um ponto em que a música deixa de tentar controlar o mundo e passa apenas a dançar com ele. É nesse território instável, quase vertiginoso, que os RANCORE se posicionam com “Valsa do Imprevisível”, um dos avanços do novo álbum Brio, que virá a luz 15 anos depois do último trabalho, é um tema que não procura respostas, mas antes abraça o desvio, o erro e o inesperado como matéria-prima essencial.
Os RANCORE foram formados em São Paulo, em 2001, e fazem parte da cena rock/alternativa brasileira, tendo começado com uma base mais punk/hardcore e evoluído ao longo dos anos para uma sonoridade mais ampla e emocional.
Numa altura em que tanto se procura a perfeição, os RANCORE oferecem o contrário: imperfeição consciente, assumida, quase celebrada. E talvez seja isso que torna “Valsa do Imprevisível” tão honesta, a sensação de que não está a tentar ser mais do que é, mas sim exatamente aquilo que precisa de ser.
No fim, fica a impressão de uma dança que nunca termina, apenas muda de ritmo. E talvez seja essa a verdadeira proposta da faixa: não controlar o imprevisível, mas aprender a girar dentro dele.
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