Tio Rex regressou com “é como é como é como é”, primeiro avanço do quarto álbum de originais de Miguel Reis. Editada pela Cidade Fantasma, a canção foi gravada no Estúdio Nimbo, na Serra de São Luís, em plena Arrábida, com produção de Diogo Arranja e coprodução do próprio Tio Rex. Ao núcleo formado pela voz, guitarra acústica e bandolim de Miguel juntam-se Marta Banza no piano e coros, Bernardo Pacheco Pereira no baixo e coros, Diogo Arranja na bateria e sintetizadores e João Mota nos coros.
O novo disco ainda não possui título ou data de edição anunciados, mas o single apresenta desde já uma mudança de perspetiva: depois de uma obra frequentemente alimentada pela memória e pela autobiografia, Tio Rex dirige agora o olhar para a dificuldade contemporânea de duas pessoas conseguirem realmente encontrar-se.
O título repete uma expressão que tanto pode significar aceitação como desistência. Dizer “é como é” permite reconhecer uma realidade sem a disfarçar, mas também pode servir para terminar uma conversa antes de ela começar.
No centro da canção encontra-se uma contradição característica da vida urbana: nunca dispusemos de tantos meios para contactar alguém e, ao mesmo tempo, tornou-se cada vez mais difícil criar verdadeira proximidade.
No final, a expressão repetida permanece ambígua. Tio Rex não resolve essa tensão, porque talvez o verdadeiro problema não esteja em encontrarmos a frase certa para nos apresentarmos, está em conseguirmos permanecer em silêncio o tempo suficiente para escutar quem chegou até nós com uma história diferente.
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