Annahstasia transformou o seu primeiro grande álbum Tether numa experiência diferente quando decidiu regressar às canções em formato ao vivo, gravando-as novamente num ambiente intimista acompanhado por um pequeno ensemble de câmara. O resultado, registado no estúdio Glasshaus em Brooklyn diante de uma audiência reduzida, surge como uma espécie de reinterpretação emocional do disco: menos produção, mais respiração, como se cada canção voltasse ao momento em que nasceu.
No universo especial e raro que são as apresentações de Annahstasia, como o Ecletismo Musical escreveu [REVIEW AQUI] por altura do concerto no Hoxton Hall, em Londres, os seus concertos começam “antes de qualquer instrumento soar”: “bastou a artista entrar em palco e deixar a voz surgir para que toda a sala mergulhasse num silêncio absoluto”.
Nesse espaço quase suspenso, a força da música não vinha do volume nem da produção, mas da clareza emocional. A artista demonstrava algo raro: a capacidade de transformar uma sala inteira sem precisar de levantar a voz, apenas através da presença e da verdade das canções.
É precisamente essa sensação que o novo registo ao vivo tenta capturar. As músicas não procuram soar maiores ou mais épicas; procuram apenas permanecer fiéis ao momento em que são cantadas.
Talvez por isso o álbum funcione como um espelho do próprio percurso de Annahstasia: uma artista que passou anos a fugir das expectativas da indústria até encontrar finalmente a sua voz verdadeira. E quando essa voz surge: grave, vulnerável, quase espiritual, percebe-se que algumas canções não pertencem apenas ao estúdio.
Pertencem ao instante em que alguém as canta e alguém as escuta. E é nesse instante que a música realmente acontece.
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