Há qualquer coisa de inevitavelmente solar quando Tatanka and Bateu Matou se cruzam. “Olinda” nasce precisamente desse encontro entre percussão, groove e uma sensação constante de movimento, quase como se a música tivesse sido feita para existir como celebração coletiva.
Depois de anos a afirmar-se como uma das vozes mais reconhecíveis da música portuguesa através dos The Black Mamba, Tatanka continua a expandir o seu universo fora da banda, aproximando-se cada vez mais de territórios ligados à música de raiz. Já os Bateu Matou, projeto de Ivo Costa, Quim Albergaria e Riot transformaram-se numa das propostas mais interessantes da música portuguesa recente, precisamente pela forma como cruzam percussão tradicional, eletrónica, afrobeat e cultura urbana.
“Olinda” junta perfeitamente esses dois mundos. A canção evita grandes mensagens fechadas e funciona mais através de imagens e sensação física do que de narrativa linear. O foco parece estar naquela ideia de liberdade emocional e corporal que surge quando música, espaço e pessoas entram na mesma frequência. E, em que, por momentos, seja lá o que mais existir “na vida que pesa”, o mais importante é dançar e ser “por inteiro” naquele momento.
No fundo, “Olinda” funciona porque não tenta ser excessivamente conceptual. E às vezes isso é mais do que suficiente: uma voz e presença quente, percussão viva e a sensação de que durante alguns minutos o corpo percebe a música, a ligação, antes mesmo da cabeça tentar explicá-la.
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