Como o Ecletismo Musical já escreveu em algumas ocasiões, existe qualquer coisa de profundamente raro em Annahstasia que a torna num dos maiores diamantes da música atual. O seu Tiny Desk Concert torna isso ainda mais evidente e, será certamente, um momento marcante, não só no formato, como para que muitas pessoas a possam descobrir.
“Take a deep breath”, pede Annahstasia à banda entre músicas. E dificilmente existiria descrição mais precisa para aquilo que a artista cria. “Stress Test”, “Be Kind” e “Sunday” mostram precisamente essa capacidade de Annahstasia transformar folk, soul e ambient em algo quase espiritual sem cair em excesso performativo. Há uma presença emocional real nas músicas, como se cada uma estivesse menos interessada em impressionar, e mais focada em criar espaço seguro para sentir.
Mas é em “Villain” que tudo ganha outra dimensão. A faixa, um dos momentos centrais do álbum Tether, começou originalmente como canção sobre insegurança, dúvida e fragilidade emocional. Só que neste Tiny Desk ela surge transformada. Annahstasia acrescenta enquanto o assobio quase etéreo de Hailey Niswanger atravessa lentamente a música:”Take it, take it back / All that you left within me / All the doubt and the fear / When love was always abundant in me.”
O verso final funciona quase como gesto de reapropriação emocional:
“love was always abundant in me.” Talvez seja precisamente isso que torna Annahstasia tão especial neste momento.
Num panorama musical onde tanta vulnerabilidade é apresentada de forma excessivamente estética ou performativa, ela soa profundamente verdadeira. As músicas não parecem escritas para dramatizar sofrimento. Parecem escritas para sobreviver a ele com alguma forma de ternura intacta.
No Comments Yet!
You can be the first to comment on this post!