O Open’er Festival 2026 acontece entre os dias 1 e 4 de julho, no aeroporto de Gdynia-Kosakowo, na costa norte da Polónia, afirmando-se como uma das experiências mais consistentes do circuito europeu, num espaço onde o mar está sempre presente.
O Open’er nunca foi um festival de excessos visuais ou de narrativas inflacionadas. Cresceu de forma orgânica desde 2002, primeiro em Varsóvia e depois em Gdynia, até se tornar um dos maiores eventos da Europa Central, mantendo sempre uma identidade muito própria: menos espetáculo forçado, mais foco na música e na forma como diferentes linguagens coexistem dentro do mesmo espaço.
O cartaz de 2026 segue exatamente essa lógica. No topo, há uma combinação que diz muito sobre o festival: The Cure, Nick Cave & The Bad Seeds e Calvin Harris representam três formas completamente diferentes de ocupar o mesmo lugar, sem que nenhuma anule a outra.
Ao lado destes nomes, The xx aparece quase como ponto de equilíbrio, uma banda que sempre viveu nesse território intermédio entre o íntimo e o expansivo, enquanto David Byrne traz uma dimensão performativa que ultrapassa a própria ideia de concerto.
Mas o Open’er constrói-se tanto aí como mais abaixo. Halsey, Zara Larsson e Addison Rae introduzem uma camada pop mais direta, mais contemporânea, enquanto IDLES ou Clipse puxam o cartaz para territórios mais tensos.
No meio, como quase sempre acontece neste festival, está aquilo que verdadeiramente o define. Ethel Cain, Reneé Rapp ou Audrey Nuna habitam esse espaço onde as coisas ainda estão a formar-se, onde os concertos não são apenas confirmação.
Um festival onde a experiência não é imposta, é construída aos poucos, entre caminhadas longas, descobertas inesperadas e aquela sensação constante de que há sempre algo a acontecer ligeiramente fora do teu plano.
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