Quando os Placebo regressam ao disco de 1996 e o “reacabam”, não estão a mudar o significado, estão a iluminá-lo. A banda descreveu este processo como um “director’s cut”, uma forma de trazer a maturidade e a experiência acumulada para canções que nasceram num estado mais cru . E isso, em “Lady of the Flowers” em particular, torna tudo ainda mais denso.
Inspirada diretamente no universo de Jean Genet e no seu livro Our Lady of the Flowers, um mergulho poético e marginal no submundo parisiense, marcado por identidade fluida, sexualidade e transgressão, a canção carrega desde origem essa ambiguidade. Não há género fixo, não há moral fixa, não há narrativa estável.
A figura central, a “lady of the flowers”, não é exatamente uma mulher. Nem exatamente um homem. É uma presença. Uma construção de desejo e projeção, que tanto seduz como desestabiliza. O próprio Brian Molko chegou a referir que a leitura literal engana, que a personagem aponta para algo mais ambíguo e queer .
Há repetição de desculpas: “I apologize”, como se o narrador estivesse constantemente a reconhecer que está envolvido em algo que não consegue controlar, mas tem a consciência de que tal terá de acontecer.
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