CARBEAU and MARO encontram em “odore dell’asfalto” uma beleza muito rara: a capacidade de fazer uma música soar simultaneamente íntima e geográfica. Como se emoção e lugar fossem exatamente a mesma coisa.
O título, “cheiro do asfalto”, já aponta imediatamente para memória física. Não memória abstrata ou nostálgica no sentido clássico, mas aquela memória que regressa através de sensações concretas: o calor da estrada, o corpo em movimento, a distância.
Musicalmente, “odore dell’asfalto” deambula entre o folk atmosférico, indie minimalista e pop mediterrânica contemplativa.
“odore dell’asfalto” que faz parte do novo álbum de carbeau funciona mais como um estado emocional contínuo, do que um momento marcado no tempo. Uma música sobre deslocação, sobre pessoas que atravessam cidades e memórias tentando perceber onde termina o lugar… e começa o sentimento.
Existe também uma enorme melancolia calma na canção. Não tristeza destrutiva, mais aquela sensação adulta de perceber que certos momentos da vida se tornam inesquecíveis precisamente porque nunca voltam a existir da mesma forma. O “cheiro do asfalto” acaba então por funcionar como símbolo disso: das pequenas coisas físicas que ficam ligadas emocionalmente a alguém ou a um momento.
Como uma memória que regressa de repente através de um cheiro, uma estrada vazia ou a luz certa ao fim da tarde e durante alguns segundos nos faz sentir tudo outra vez, muitas vezes.
Foto: Simão Pernas
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