Moullinex and GPU Panic já tinham percorrido muito caminho juntos antes de MXGPU passar a ser um nome próprio. Depois de “Sudden Light”, álbum de estreia lançado em 2025, o projeto entrou este ano numa espécie de aceleração. “tree of life”, “feel the flood” e “rio” foram mostrando uma linguagem progressivamente mais física, direta e próxima da pista, antes da chegada de “the hush”, novo lançamento que parece levar essa transformação um pouco mais longe.
Há uma contradição interessante num tema chamado “the hush” que pouco parece interessado no silêncio. A pulsação é insistente, o movimento quase inevitável e a construção vive dessa repetição que, na música eletrónica, deixa progressivamente de ser repetição para se transformar em estado.
Os MXGPU sempre tiveram essa capacidade de colocar uma dimensão humana dentro da eletrónica. Por baixo das máquinas, sintetizadores, baixos e sequências existe frequentemente uma procura de ligação, vulnerabilidade e transformação. “the hush” mantém essa ideia, mas parece retirar-lhe algumas palavras. Há menos necessidade de explicar e mais vontade de deixar o corpo compreender primeiro.
E talvez seja essa diferença que torne especialmente interessante a presença dos MXGPU amanhã no Festival BONS SONS. O projeto chega ao Palco António Variações poucas semanas depois deste lançamento e num momento em que parece estar a redefinir novamente a própria identidade.
Num festival construído dentro de uma aldeia, onde durante alguns dias ruas, largos e casas passam a pertencer também à música, haverá algo particularmente apropriado em ver MXGPU tentar fazer desaparecer a fronteira entre palco e público.
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