Carlos Sanches and Carol lançaram “Raposa Velha” single que sucede ao excelente álbum de Carlos Sanches, lançado em março, “Cães e Crianças”.
A “raposa velha” parece surgir associada à ideia de alguém que já atravessou diferentes fases da vida e por vezes tem a pretensão de achar que aprendeu a mover-se dentro delas com outra consciência.
“Raposa velha a cercar/ A sua cauda para o jantar” faz lembrar alguém que se move constantemente mas com dificuldades em conseguir sair por vezes verdadeiramente do mesmo lugar.
Mas, a música não fala de fugir ao medo. Fala de correr atrás dele. E isso altera completamente a leitura da canção. Porque sugere uma relação quase inevitável com aquilo que nos assombra. Nesse contexto, a “raposa velha” do título pode ser lida como a figura de alguém que já conhece esses mecanismos. Alguém que aprendeu a reconhecer os próprios círculos, os próprios medos e as próprias repetições.
Acaba assim por soar como uma canção sobre consciência. Não a consciência que resolve tudo, mas aquela que nasce quando começamos finalmente a perceber os caminhos que repetimos vezes sem conta, mesmo quando juramos estar a seguir noutra direção.
E talvez a força da música esteja precisamente aí: na forma como transforma movimento em metáfora de tudo aquilo que continua dentro de nós.
A música parece interessada em observar esse percurso, deixando que a imagem da raposa permaneça como metáfora aberta ao longo de toda a canção e permitir acreditar que por muito velha que a raposa seja, pode correr atrás do medo e quebrar os círculos.
Uma nota final de destaque para o álbum de Carlos Sanches, “Cães e Crianças”, que vale uma audição muito cuidada.
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