Em “Que Mar É Este”, Sérgio Onze e Gisela João juntam-se pela primeira vez num tema que encontra no mar uma das imagens mais profundas da identidade portuguesa para refletir sobre aquilo que permanece impossível de decifrar: o amor e o próprio destino.
O mar surge aqui não como cenário, mas como símbolo. Tal como as emoções, nunca permanece igual. Pode ser abrigo ou distância, promessa ou dúvida. E é nesse território ambíguo que a canção encontra a sua força.
Ao longo da canção, as vozes funcionam como como espelho e cada frase escrita por Irina Chitas parece prolongar a anterior, como se ambos procurassem compreender a mesma pergunta sem nunca encontrar uma resposta definitiva. E talvez seja precisamente essa ausência de resposta que dá força ao tema.
O mar surge aqui como símbolo da incerteza humana. Daquilo que nunca conseguimos controlar totalmente, e que, tal como as emoções, o mar muda constantemente de forma, de intensidade e de direção.
Existe uma melancolia evidente em “Que Mar É Este”, não apenas como expressão de alguma derrota, mas mais como consciência da fragilidade das relações humanas e da impossibilidade de controlar o curso da vida. É uma melancolia que observa, que procura aceitar e compreender.
“não sejas saudade, que eu sou coração”.
Foto: Frederico Martins
No Comments Yet!
You can be the first to comment on this post!