“Boys Cry Too” [Album Review AQUI], gravada pelos The Haunted Youth no Cirque Royal, apresenta toda a intensidade que os belgas têm vindo a apresentar desde o lançamento deste álbum.
A música de Joachim Liebens vive permanentemente entre a melancolia e a esperança, criando paisagens sonoras onde guitarras etéreas, sintetizadores e vozes, por vezes sussurradas, por vezes quase em grito, parecem existir num estado constante de suspensão.
Nesta atuação percebe-se também que os The Haunted Youth recusam transformar a melancolia num exercício de escuridão permanente. Existe tristeza, naturalmente. Mas existe igualmente beleza, memória, desejo de reconstrução e uma curiosa sensação de esperança que atravessa todo o disco. Talvez porque crescer nunca signifique deixar de sentir. Signifique apenas aprender a conviver melhor com aquilo que sentimos.
Há algo profundamente cinematográfico na forma como a banda desenvolve cada canção. Em vez de procurar refrões explosivos, prefere deixar que pequenos detalhes ganhem dimensão à medida que a atuação avança. É uma abordagem que exige tempo, disponibilidade e escuta atenta, mas que recompensa quem aceita esse convite.
Talvez seja precisamente essa a maior qualidade de Boys Cry Too: recordar-nos que crescer não significa deixar de chorar. Significa perceber que algumas das emoções que mais tentamos esconder são, muitas vezes, aquelas que mais nos aproximam uns dos outros.
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